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Comunidade quilombola é reconhecida em paraíso no Nordeste

Uma notícia importante saiu no Diário Oficial da União nesta quarta-feira (25) e merece celebração. A comunidade Campo Seco, localizada no município de Itacaré, na Bahia, acaba de receber o reconhecimento oficial como remanescente de quilombo. O ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
25 de março de 2026 - às 09:48
Atualizado 25 de março de 2026 - às 09:48
4 min de leitura

Uma notícia importante saiu no Diário Oficial da União nesta quarta-feira (25) e merece celebração. A comunidade Campo Seco, localizada no município de Itacaré, na Bahia, acaba de receber o reconhecimento oficial como remanescente de quilombo.

O título foi concedido pela Fundação Cultural Palmares, órgão do Ministério da Cultura, e representa um marco histórico para os moradores da região. Mas o que isso significa na prática? E por que esse reconhecimento é tão importante? Vamos entender.

O que é uma comunidade remanescente de quilombo?

Antes de mais nada, é importante lembrar o que são os chamados “remanescentes de quilombo”. A princípio, o termo se refere a grupos formados por descendentes de africanos escravizados que resistiram à opressão ao longo da história e mantiveram vivas suas tradições culturais, seu modo de vida e sua relação com a terra.

Ao mesmo tempo, essas comunidades existem em diversas partes do Brasil, especialmente no Nordeste, e carregam uma herança valiosa de luta, cultura e resistência. O reconhecimento oficial pela Fundação Cultural Palmares é um passo fundamental para garantir direitos territoriais, proteção cultural e políticas públicas voltadas para essas populações.

A comunidade Campo Seco, em Itacaré (BA)

Agora, a comunidade Campo Seco, localizada em Itacaré, na Bahia, entra para essa lista. Itacaré é uma das cidades mais bonitas do litoral baiano, conhecida por suas praias paradisíacas, rios, mata atlântica preservada e forte apelo turístico. É um verdadeiro paraíso no Nordeste.

Com o reconhecimento, a comunidade Campo Seco passa a ter sua identidade e sua história oficialmente certificadas. Veja os detalhes:

ComunidadeMunicípioEstado
Campo SecoItacaréBahia (BA)

O reconhecimento de uma comunidade como remanescente de quilombo não acontece do dia para a noite. Ele segue um processo baseado em um princípio importante: a autodefinição.

Isso significa que são os próprios moradores da comunidade que declaram, formalmente, que se reconhecem como remanescentes de quilombo. A partir dessa declaração, a Fundação Cultural Palmares analisa o pedido e, se tudo estiver de acordo com a legislação, emite a certificação oficial.

Por que esse reconhecimento é importante?

Receber o título de comunidade remanescente de quilombo vai muito além de um pedaço de papel. Ele abre portas para:

  • Direito ao território: facilita processos de titulação das terras ocupadas tradicionalmente pela comunidade.
  • Preservação cultural: garante que as tradições, festas, saberes e modos de vida sejam respeitados e protegidos.
  • Políticas públicas: a comunidade passa a ter prioridade em programas governamentais de saúde, educação, infraestrutura e assistência social.
  • Valorização histórica: reconhece oficialmente a contribuição dos ancestrais que resistiram à escravidão e construíram um legado de luta e liberdade.

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Um paraíso que também é história

Itacaré já era conhecida por suas belezas naturais: praias como a Concha, a Engenhoca e a Ribeira atraem visitantes do mundo inteiro. Agora, a cidade ganha um novo capítulo em sua história com o reconhecimento da comunidade Campo Seco.

Assim, a notícia lembra que o Brasil é um país construído por muitas mãos. Portanto, tem muitas histórias e muitas resistências. E cada quilombo reconhecido é um passo para reparar dívidas históricas e construir um futuro mais justo.

Em suma, o reconhecimento da comunidade Campo Seco, em Itacaré, como remanescente de quilombo é uma vitória para os moradores, para a cultura brasileira e para a memória da luta contra a escravidão. Dessa forma, é também um lembrete de que, em meio às belezas naturais do Nordeste, existem histórias profundas que merecem ser contadas e respeitadas.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.