A Paraíba se tornou o estado que mais avançou na realização de transplantes cardíacos nos últimos quatro anos. E o resultado disso é impressionante: em 2025, o estado conseguiu zerar a fila de espera por um novo coração.
A princípio, o marco foi celebrado durante o II Congresso Nordeste de Transplantes, realizado em João Pessoa, e coloca a Paraíba como referência na região e no país.
O SUS que salva vidas
Ao mesmo tempo, o avanço é fruto de um trabalho que começou a ganhar força em 2022, quando ocorreu o primeiro transplante cardíaco 100% pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no estado. Esse procedimento completa quatro anos agora em 2026 e abriu caminho para uma série de conquistas.
Quem lidera essas intervenções é o Hospital Metropolitano Dom José Maria Pires, que se tornou o grande centro de referência para transplantes cardíacos na Paraíba.
De acordo com Cícero Ludgero, superintendente da Fundação Paraibana de Gestão em Saúde (PB Saúde), o crescimento foi consistente:
“Não somos os maiores, mas somos os que mais crescemos nos últimos quatro anos. Em 2025, conseguimos zerar a fila de transplante cardíaco, mesmo sabendo que é uma fila dinâmica.”
Um avanço que começou com um coração de criança
Um dos momentos mais marcantes dessa trajetória aconteceu em 2025, quando a Paraíba realizou seu primeiro transplante cardíaco pediátrico. A cirurgia foi feita em uma criança do município de Santana dos Garrotes, e hoje, no Nordeste, apenas Ceará e Paraíba estão habilitados para esse tipo de procedimento.
“É um avanço que muito nos orgulha, mas que também renova nossa responsabilidade de continuarmos avançando na oferta de um serviço que atenda as necessidades da nossa população. Esse é o SUS da Paraíba. Um sistema que garante assistência desde o pré até o pós-operatório, com estrutura e equipes qualificadas para salvar vidas”, destacou Ludgero.
A estrutura por trás do sucesso
Portanto, chegar a esse patamar não foi obra do acaso. O governo estadual investiu na estruturação da rede de saúde cardiovascular. Hoje, a Paraíba conta com uma rede integrada que inclui:
| Estrutura | Quantidade | Função |
|---|---|---|
| Serviços de hemodinâmica | 4 | Realizam exames e procedimentos cardiovasculares de média e alta complexidade |
| Ambulâncias | 61 | Garantem o transporte seguro de pacientes em todo o estado |
| Aeronaves | 2 | Agilizam o atendimento em casos de urgência e a logística de captação de órgãos |
Essa estrutura permite que o paciente seja atendido desde o diagnóstico até o pós-operatório, com suporte de transporte e equipes treinadas.
Congresso reuniu especialistas de todo o Nordeste
O avanço da Paraíba foi um dos destaques do II Congresso Nordeste de Transplantes, que aconteceu entre os dias 25 e 28 de março no Centro de Convenções de João Pessoa. O evento reuniu cerca de 2 mil profissionais de saúde de toda a região, com o objetivo de qualificar equipes e ampliar o acesso aos transplantes.
A Fundação PB Saúde e o Hospital Metropolitano marcaram presença com um estande institucional e apresentaram oito trabalhos científicos, mostrando que, além dos procedimentos, o estado também investe em conhecimento e pesquisa.

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O que significa zerar a fila?
Antes de mais nada, zerar a fila de transplantes cardíacos significa que, no momento da divulgação dos dados, não havia pacientes aguardando por um coração na Paraíba. Claro, como explicou o superintendente, a fila é “dinâmica” — novos pacientes podem surgir a qualquer momento. Mas o feito mostra que o estado tem capacidade de atender à demanda de forma rápida e eficiente, sem que pessoas fiquem esperando por longos períodos por um órgão.
Para quem aguarda um transplante, cada dia conta. Reduzir ou zerar a espera é uma conquista que representa vidas salvas.
De olho no futuro
Em suma, a Paraíba mostrou que é possível avançar mesmo em um cenário de desafios. Com investimento em estrutura, qualificação profissional e gestão eficiente, o estado se tornou um exemplo para o Nordeste e para o Brasil.
Assim, a meta agora é manter esse ritmo e continuar ampliando o acesso a transplantes — não só cardíacos, mas também de outros órgãos — garantindo que mais paraibanos tenham a chance de uma nova vida.



