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Como os times do Nordeste sofrem na pele com os erros de arbitragem

O que acontece quando a arbitragem vira protagonista e o VAR vira vilão? Para torcedores e times do Nordeste, essa não é uma pergunta retórica. É uma realidade sentida na pele, jogo após jogo. Antes de ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
30 de julho de 2026 - às 14:42
Atualizado 30 de julho de 2026 - às 14:42
5 min de leitura
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O que acontece quando a arbitragem vira protagonista e o VAR vira vilão? Para torcedores e times do Nordeste, essa não é uma pergunta retórica. É uma realidade sentida na pele, jogo após jogo. Antes de mais nada, o episódio mais recente dessa novela aconteceu no Barradão, na última quarta-feira (29). Na ocasião, Vitória e Palmeiras se enfrentaram pela 21ª rodada do Campeonato Brasileiro. Ao mesmo tempo, o que se viu foi mais um capítulo de uma história que se repete: expulsões polêmicas, reclamações, apenas alguns áudios do VAR liberados pela CBF e um sentimento generalizado de que o time da casa saiu prejudicado.

O jogo que parou o Barradão

A partida terminou com uma goleada do Palmeiras por 4 a 0, mas o placar não reflete a verdadeira batalha que aconteceu em campo — e fora dele. Em suma, o duelo ficou marcado por duas expulsões do Vitória ainda no primeiro tempo, decisões que mudaram completamente o rumo do jogo e acenderam a indignação da torcida rubro-negra .

Aos 25 minutos, o meia Maurício, do Palmeiras, acertou o braço no rosto do zagueiro Cacá, do Vitória. Dessa forma, o defensor precisou levar cinco pontos no queixo, mas o árbitro Alex Gomes Stefano aplicou apenas cartão amarelo ao jogador palmeirense. O VAR sequer recomendou revisão . Minutos depois, aos 36, o jogo virou: Cacá deu um carrinho em Arias e acabou expulso após revisão do VAR. Três minutos depois, seu companheiro Luan Cândido também foi para o chuveiro mais cedo — por fazer o gesto de “roubo” .

Estádio Barradão. Foto: Assessoria EC Vitória
Nem o Barradão foi suficiente para evitar os erros do juiz. Foto: Assessoria EC Vitória

A nota do Palmeiras e as “Falsas Narrativas”

Assim, em resposta à enxurrada de críticas, o Palmeiras emitiu uma nota oficial na qual classificou as reclamações como “falsas narrativas” criadas para pressionar a arbitragem e colocar em xeque uma vitória que considera “absolutamente legítima” .

O clube paulista foi além e analisou cada lance polêmico: afirmou que não houve força no braço de Maurício para justificar vermelho, que o carrinho de Cacá foi violento e que a simulação de um pênalti no segundo tempo foi clara . A nota ainda destacou a campanha impecável do time na competição: “Somos a equipe com mais gols marcados e menos gols sofridos” .

O que dizem os especialistas e os áudios do VAR

De acordo com o comentarista de arbitragem PC Oliveira, da TV Globo, a história tem um capítulo importante. Ele considera que os dois cartões vermelhos aplicados aos jogadores do Vitória foram corretos, mas aponta um erro grave: a não expulsão de Maurício. Em sua avaliação, o meia palmeirense fez o movimento de “gatilho” e deveria ter sido punido com o vermelho .

Os áudios do VAR divulgados pela CBF mostram o árbitro de vídeo, Marco Aurelio Augusto Fazekas Ferreira, recomendando a revisão do carrinho de Cacá com base na força excessiva: “O atacante joga a bola e depois ele acerta. Pega na altura da perna, alto […] com as travas da chuteira acerta na altura da panturrilha do seu adversário com intensidade alta” . Sobre Luan Cândido, o áudio revela uma recomendação clara: “Alex, vou recomendar revisão para uma possível expulsão. Jogador faz gesto de roubo” .

Sentimento de injustiça e a luta por isonomia

O que se vê em episódios como esse é um sentimento profundo de injustiça entre os clubes nordestinos. Não se trata apenas de um jogo ou de um lance isolado, mas de um padrão percebido pelas torcidas e dirigentes da região: decisões polêmicas que, recorrentemente, penalizam os times fora do eixo Sul-Sudeste.

Veja na tabela abaixo o resumo dos lances que geraram a polêmica:

LanceJogador EnvolvidoDecisão da ArbitragemReação
Cotovelada em CacáMaurício (Palmeiras)Cartão amarelo; VAR não revisa Revolta do Vitória; PC Oliveira vê erro 
Carrinho violento em AriasCacá (Vitória)Cartão vermelho após revisão do VAR Considerado correto por especialistas 
Gesto de “roubo”Luan Cândido (Vitória)Cartão vermelho após revisão do VAR Legitimado pelos áudios oficiais 
Possível pênalti não marcadoAndreas Pereira (Palmeiras)Jogo segue; simulação considerada Palmeiras classifica como “incompreensível”

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O preço da polêmica

O resultado do jogo foi uma goleada histórica do Palmeiras, mas as consequências vão além do placar. O Vitória perdeu sua dupla de zaga titular para as próximas partidas, e a confiança da equipe e da torcida fica abalada. A CBF, por sua vez, se vê mais uma vez no centro de uma discussão sobre a transparência e a eficácia do VAR.

Enquanto isso, a sensação entre os torcedores nordestinos é de que seus clubes precisam jogar não apenas contra os adversários, mas também contra uma arbitragem que, em momentos cruciais, parece pesar contra. A frase do Palmeiras — “nossa capacidade de competir em alto nível incomoda” — soa como um eco irônico para quem sente na pele a falta de isonomia.

Em suma, o futebol brasileiro precisa de mais tecnologia ou de mais bom senso? A resposta talvez esteja em ouvir com mais atenção os apitos que ecoam do Nordeste.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.