O que acontece quando a arbitragem vira protagonista e o VAR vira vilão? Para torcedores e times do Nordeste, essa não é uma pergunta retórica. É uma realidade sentida na pele, jogo após jogo. Antes de mais nada, o episódio mais recente dessa novela aconteceu no Barradão, na última quarta-feira (29). Na ocasião, Vitória e Palmeiras se enfrentaram pela 21ª rodada do Campeonato Brasileiro. Ao mesmo tempo, o que se viu foi mais um capítulo de uma história que se repete: expulsões polêmicas, reclamações, apenas alguns áudios do VAR liberados pela CBF e um sentimento generalizado de que o time da casa saiu prejudicado.
O jogo que parou o Barradão
A partida terminou com uma goleada do Palmeiras por 4 a 0, mas o placar não reflete a verdadeira batalha que aconteceu em campo — e fora dele. Em suma, o duelo ficou marcado por duas expulsões do Vitória ainda no primeiro tempo, decisões que mudaram completamente o rumo do jogo e acenderam a indignação da torcida rubro-negra .
Aos 25 minutos, o meia Maurício, do Palmeiras, acertou o braço no rosto do zagueiro Cacá, do Vitória. Dessa forma, o defensor precisou levar cinco pontos no queixo, mas o árbitro Alex Gomes Stefano aplicou apenas cartão amarelo ao jogador palmeirense. O VAR sequer recomendou revisão . Minutos depois, aos 36, o jogo virou: Cacá deu um carrinho em Arias e acabou expulso após revisão do VAR. Três minutos depois, seu companheiro Luan Cândido também foi para o chuveiro mais cedo — por fazer o gesto de “roubo” .

A nota do Palmeiras e as “Falsas Narrativas”
Assim, em resposta à enxurrada de críticas, o Palmeiras emitiu uma nota oficial na qual classificou as reclamações como “falsas narrativas” criadas para pressionar a arbitragem e colocar em xeque uma vitória que considera “absolutamente legítima” .
O clube paulista foi além e analisou cada lance polêmico: afirmou que não houve força no braço de Maurício para justificar vermelho, que o carrinho de Cacá foi violento e que a simulação de um pênalti no segundo tempo foi clara . A nota ainda destacou a campanha impecável do time na competição: “Somos a equipe com mais gols marcados e menos gols sofridos” .
O que dizem os especialistas e os áudios do VAR
De acordo com o comentarista de arbitragem PC Oliveira, da TV Globo, a história tem um capítulo importante. Ele considera que os dois cartões vermelhos aplicados aos jogadores do Vitória foram corretos, mas aponta um erro grave: a não expulsão de Maurício. Em sua avaliação, o meia palmeirense fez o movimento de “gatilho” e deveria ter sido punido com o vermelho .
Os áudios do VAR divulgados pela CBF mostram o árbitro de vídeo, Marco Aurelio Augusto Fazekas Ferreira, recomendando a revisão do carrinho de Cacá com base na força excessiva: “O atacante joga a bola e depois ele acerta. Pega na altura da perna, alto […] com as travas da chuteira acerta na altura da panturrilha do seu adversário com intensidade alta” . Sobre Luan Cândido, o áudio revela uma recomendação clara: “Alex, vou recomendar revisão para uma possível expulsão. Jogador faz gesto de roubo” .
Sentimento de injustiça e a luta por isonomia
O que se vê em episódios como esse é um sentimento profundo de injustiça entre os clubes nordestinos. Não se trata apenas de um jogo ou de um lance isolado, mas de um padrão percebido pelas torcidas e dirigentes da região: decisões polêmicas que, recorrentemente, penalizam os times fora do eixo Sul-Sudeste.
Veja na tabela abaixo o resumo dos lances que geraram a polêmica:
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O preço da polêmica
O resultado do jogo foi uma goleada histórica do Palmeiras, mas as consequências vão além do placar. O Vitória perdeu sua dupla de zaga titular para as próximas partidas, e a confiança da equipe e da torcida fica abalada. A CBF, por sua vez, se vê mais uma vez no centro de uma discussão sobre a transparência e a eficácia do VAR.
Enquanto isso, a sensação entre os torcedores nordestinos é de que seus clubes precisam jogar não apenas contra os adversários, mas também contra uma arbitragem que, em momentos cruciais, parece pesar contra. A frase do Palmeiras — “nossa capacidade de competir em alto nível incomoda” — soa como um eco irônico para quem sente na pele a falta de isonomia.
Em suma, o futebol brasileiro precisa de mais tecnologia ou de mais bom senso? A resposta talvez esteja em ouvir com mais atenção os apitos que ecoam do Nordeste.


