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Como o Nordeste encara o desafio de empregar jovens

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em parceria com o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), apresentou o Raio-X do Trabalho, um retrato detalhado do mercado para os 32,9 milhões de jovens brasileiros de 14 a 24 anos. Os ...
REDAÇÃO ELISEU, da Agência NE9
10 de setembro de 2026 - às 11:30
Atualizado 10 de setembro de 2026 - às 11:30
4 min de leitura

O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em parceria com o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), apresentou o Raio-X do Trabalho, um retrato detalhado do mercado para os 32,9 milhões de jovens brasileiros de 14 a 24 anos. Os dados são referentes ao primeiro trimestre de 2026 e foram divulgados em coletiva no Teatro CIEE.

Ao mesmo tempo, os números trazem boas e más notícias. Se, por um lado, o desemprego nessa faixa etária caiu de forma significativa, por outro, o grupo de jovens que não estuda nem trabalha — os chamados “nem-nem” — cresceu e acende um alerta para as políticas públicas de inclusão produtiva.

Sergipe se destaca na aprendizagem profissional

Em meio aos desafios, Sergipe aparece como um exemplo positivo. O estado tem mais de 6.200 jovens de 14 a 24 anos e pessoas com deficiência inseridos no mercado de trabalho por meio da política de aprendizagem profissional.

Antes de mais nada, o número coloca Sergipe como o primeiro do Nordeste e o quinto do país mais engajado na política, segundo dados do MTE de fevereiro de 2026. Naquele período, o estado registrava 360.949 empregos formais.

IndicadorSergipe
Jovens e PCDs inseridos via aprendizagemMais de 6.200
Posição no Nordeste1º
Posição no Brasil5º
Empregos formais (fev/2026)360.949

Pela política de aprendizagem profissional, empresas de médio e grande porte devem contratar entre 5% e 15% de aprendizes. Essa é uma medida que insere os jovens no mercado e, ao mesmo tempo, forma mão de obra qualificada para as empresas.

Nordeste tem o menor percentual de formalização

Apesar do destaque de Sergipe, em suma o Nordeste ainda apresenta o menor percentual de formalização do trabalho entre jovens de 16 a 29 anos no Brasil. De acordo com a pesquisa Juventudes e o Mundo do Trabalho, realizada pela Fundação Itaú com apoio técnico do Datafolha e do Instituto Locomotiva, apenas 20% dos jovens nordestinos estão em empregos formais.

RegiãoJovens em empregos formais (16 a 29 anos)
Nordeste20%
Norte29%
Sudeste55%
Sul58%
Desemprego PE
Muitos jovens nordestinos buscam a primeira oportunidade de emprego. Foto_Gabriel_Santana_Sedepe

Desemprego entre jovens: queda expressiva, mas ainda acima da média

A taxa de desocupação entre os jovens de 18 a 24 anos caiu para 13,8%, enquanto entre os adolescentes de 14 a 17 anos ficou em 25,1%. Dessa forma, os números representam quase metade do pico registrado em 2021.

Contudo, apesar da melhora, o desemprego juvenil ainda é 2,4 vezes maior que a média nacional, que ficou em 5,8% no mesmo período.

Faixa etáriaTaxa de desemprego
14 a 17 anos25,1%
18 a 24 anos13,8%
Média nacional5,8%

Formalização avança, mas permanência é frágil

A princípio, a formalização também apresentou avanço: 57,8% dos jovens ocupados estão em empregos com carteira assinada. No entanto, a permanência no posto de trabalho segue baixa:

Faixa etáriaJovens que ficam menos de 1 ano no mesmo emprego
14 a 17 anos52%
18 a 24 anos38,2%

Assim, a alta rotatividade é reflexo de salários baixos, ocupações pouco qualificadas e falta de perspectivas de crescimento.

O crescimento dos “nem-nem”

Portanto, o ponto mais crítico do levantamento é o aumento do grupo de jovens que não estuda nem trabalha. Afinal, o contingente subiu de 5,5 milhões no fim de 2025 para 6,2 milhões no início de 2026.

Dados do MTE indicam que a alta é puxada principalmente por mulheres negras que deixam a escola e o trabalho para assumir cuidados familiares e domésticos.

PeríodoJovens “nem-nem”
Fim de 20255,5 milhões
Início de 20266,2 milhões

O que fazem os 32,9 milhões de jovens?

Em suma, do total de 32,9 milhões de jovens de 14 a 24 anos no Brasil, a distribuição é a seguinte:

SituaçãoNúmero de jovens
Só estudam12,8 milhões
Só trabalham9,6 milhões
Estudam e trabalham4,3 milhões
Nem-nem6,2 milhões