O Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), em parceria com o Centro de Integração Empresa-Escola (CIEE), apresentou o Raio-X do Trabalho, um retrato detalhado do mercado para os 32,9 milhões de jovens brasileiros de 14 a 24 anos. Os dados são referentes ao primeiro trimestre de 2026 e foram divulgados em coletiva no Teatro CIEE.
Ao mesmo tempo, os números trazem boas e más notícias. Se, por um lado, o desemprego nessa faixa etária caiu de forma significativa, por outro, o grupo de jovens que não estuda nem trabalha — os chamados “nem-nem” — cresceu e acende um alerta para as políticas públicas de inclusão produtiva.
Sergipe se destaca na aprendizagem profissional
Em meio aos desafios, Sergipe aparece como um exemplo positivo. O estado tem mais de 6.200 jovens de 14 a 24 anos e pessoas com deficiência inseridos no mercado de trabalho por meio da política de aprendizagem profissional.
Antes de mais nada, o número coloca Sergipe como o primeiro do Nordeste e o quinto do país mais engajado na política, segundo dados do MTE de fevereiro de 2026. Naquele período, o estado registrava 360.949 empregos formais.
| Indicador | Sergipe |
|---|---|
| Jovens e PCDs inseridos via aprendizagem | Mais de 6.200 |
| Posição no Nordeste | 1º |
| Posição no Brasil | 5º |
| Empregos formais (fev/2026) | 360.949 |
Pela política de aprendizagem profissional, empresas de médio e grande porte devem contratar entre 5% e 15% de aprendizes. Essa é uma medida que insere os jovens no mercado e, ao mesmo tempo, forma mão de obra qualificada para as empresas.
Nordeste tem o menor percentual de formalização
Apesar do destaque de Sergipe, em suma o Nordeste ainda apresenta o menor percentual de formalização do trabalho entre jovens de 16 a 29 anos no Brasil. De acordo com a pesquisa Juventudes e o Mundo do Trabalho, realizada pela Fundação Itaú com apoio técnico do Datafolha e do Instituto Locomotiva, apenas 20% dos jovens nordestinos estão em empregos formais.
| Região | Jovens em empregos formais (16 a 29 anos) |
|---|---|
| Nordeste | 20% |
| Norte | 29% |
| Sudeste | 55% |
| Sul | 58% |

Desemprego entre jovens: queda expressiva, mas ainda acima da média
A taxa de desocupação entre os jovens de 18 a 24 anos caiu para 13,8%, enquanto entre os adolescentes de 14 a 17 anos ficou em 25,1%. Dessa forma, os números representam quase metade do pico registrado em 2021.
Contudo, apesar da melhora, o desemprego juvenil ainda é 2,4 vezes maior que a média nacional, que ficou em 5,8% no mesmo período.
| Faixa etária | Taxa de desemprego |
|---|---|
| 14 a 17 anos | 25,1% |
| 18 a 24 anos | 13,8% |
| Média nacional | 5,8% |
Formalização avança, mas permanência é frágil
A princípio, a formalização também apresentou avanço: 57,8% dos jovens ocupados estão em empregos com carteira assinada. No entanto, a permanência no posto de trabalho segue baixa:
| Faixa etária | Jovens que ficam menos de 1 ano no mesmo emprego |
|---|---|
| 14 a 17 anos | 52% |
| 18 a 24 anos | 38,2% |
Assim, a alta rotatividade é reflexo de salários baixos, ocupações pouco qualificadas e falta de perspectivas de crescimento.
O crescimento dos “nem-nem”
Portanto, o ponto mais crítico do levantamento é o aumento do grupo de jovens que não estuda nem trabalha. Afinal, o contingente subiu de 5,5 milhões no fim de 2025 para 6,2 milhões no início de 2026.
Dados do MTE indicam que a alta é puxada principalmente por mulheres negras que deixam a escola e o trabalho para assumir cuidados familiares e domésticos.
| Período | Jovens “nem-nem” |
|---|---|
| Fim de 2025 | 5,5 milhões |
| Início de 2026 | 6,2 milhões |
O que fazem os 32,9 milhões de jovens?
Em suma, do total de 32,9 milhões de jovens de 14 a 24 anos no Brasil, a distribuição é a seguinte:
| Situação | Número de jovens |
|---|---|
| Só estudam | 12,8 milhões |
| Só trabalham | 9,6 milhões |
| Estudam e trabalham | 4,3 milhões |
| Nem-nem | 6,2 milhões |

