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Como motoristas de aplicativo terão financiamento facilitado

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou na última quarta-feira (20) as regras do novo Programa Move Brasil. A princípio, a iniciativa federal que disponibilizará até R$ 30 bilhões em financiamentos facilitados para motoristas de aplicativos, taxistas e cooperativas ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
21 de maio de 2026 - às 08:08
Atualizado 21 de maio de 2026 - às 08:08
5 min de leitura

O Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou na última quarta-feira (20) as regras do novo Programa Move Brasil. A princípio, a iniciativa federal que disponibilizará até R$ 30 bilhões em financiamentos facilitados para motoristas de aplicativos, taxistas e cooperativas adquirirem veículos novos. A medida, publicada por meio da Resolução nº 5.304 do CMN, representa uma nova etapa do programa voltado à renovação da frota de transporte individual de passageiros no país.

Ao mesmo tempo, a regulamentação detalha as condições de financiamento, que contarão com recursos públicos e privados, além de prever taxas reduzidas e prazos estendidos para tornar o crédito acessível à categoria.

Quem poderá participar

O programa é destinado a três grupos específicos:

  • motoristas de aplicativos;
  • taxistas;
  • cooperativas de táxi.

Para obter o financiamento, os trabalhadores precisarão atender a critérios estabelecidos pelo governo federal. Motoristas de aplicativos deverão comprovar tempo mínimo de atuação na profissão, enquanto taxistas e cooperativas precisarão cumprir as regras da Receita Federal relacionadas a benefícios fiscais, como isenção de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) na compra dos veículos.

Como funcionará o financiamento

Os financiamentos serão concedidos por bancos e instituições financeiras autorizadas pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Na prática, o BNDES repassará os recursos para os bancos parceiros, que ficarão responsáveis por conceder o crédito aos motoristas e assumir o risco de inadimplência das operações.

Os recursos poderão ser utilizados para adquirir:

  • veículos elétricos;
  • híbridos flex;
  • carros flex;
  • veículos movidos exclusivamente a etanol.

O programa também permite incluir no valor financiado:

  • seguro do veículo;
  • seguro prestamista;
  • equipamentos de segurança;
  • itens voltados à proteção de mulheres motoristas.

Esses itens extras poderão representar até 10% do valor do automóvel.

Taxas reduzidas e condições especiais

O CMN definiu condições diferenciadas para os financiamentos do Move Brasil. A taxa básica dos recursos aplicados diretamente pelo governo será de 2,5% ao ano para beneficiários em geral. Para mulheres que atuam no transporte de passageiros, a taxa cai para 1,5% ao ano.

Os bancos poderão cobrar remuneração adicional de até 8,5% ao ano pelas operações, enquanto o BNDES cobrará até 1,25% de juros anuais pela administração do programa. O valor máximo financiado por veículo é de R$ 150 mil.

Prazos e carência

O financiamento poderá ser pago em até 72 meses (seis anos), com possibilidade de até seis meses de carência para início do pagamento do principal da dívida.

Objetivos do programa

Segundo o governo, o Move Brasil busca reduzir os impactos do aumento recente dos custos no setor de transporte, agravados por tensões internacionais e pela alta dos combustíveis após conflitos no Oriente Médio. A iniciativa também visa acelerar a renovação da frota nacional, incentivando veículos menos poluentes e mais eficientes energeticamente.

A expectativa é que a substituição de veículos antigos por modelos mais novos contribua para a redução de emissões de poluentes, melhoria da segurança viária e aumento da qualidade dos serviços de mobilidade urbana.

Garantias adicionais

Ao mesmo tempo, a regulamentação permite o uso de garantias do Programa Emergencial de Acesso a Crédito (Peac-FGI), mecanismo criado para facilitar financiamentos em operações consideradas de maior risco. Esse fundo funciona como garantia complementar para os bancos, reduzindo o risco de prejuízo em caso de inadimplência. Na prática, a medida tende a facilitar a aprovação de crédito para trabalhadores autônomos, categoria que historicamente encontra mais dificuldades para obter financiamentos em condições favoráveis.

Resumo das condições do Programa Move Brasil

A tabela abaixo consolida as principais informações do programa:

ItemDetalhamento
Volume total de recursosAté R$ 30 bilhões
Público-alvoMotoristas de aplicativos, taxistas e cooperativas de táxi
Tipos de veículos permitidosElétricos, híbridos flex, flex e movidos exclusivamente a etanol
Valor máximo financiado por veículoR$ 150 mil
Taxa básica do governo (geral)2,5% ao ano
Taxa básica do governo (mulheres)1,5% ao ano
Remuneração máxima do banco8,5% ao ano
Taxa de administração do BNDESAté 1,25% ao ano
Prazo máximo de pagamento72 meses (6 anos)
Carência para início do pagamentoAté 6 meses
Itens extras financiáveisSeguro do veículo, seguro prestamista, equipamentos de segurança e itens de proteção para mulheres (até 10% do valor do carro)
Garantia adicionalPeac-FGI (Programa Emergencial de Acesso a Crédito)

O que é o CMN

Em suma, o Conselho Monetário Nacional é o principal órgão responsável por definir as regras da política econômica e financeira do país. Assim, cabe ao CMN estabelecer diretrizes para crédito, juros, sistema bancário e funcionamento do mercado financeiro. Antes de mais nada, o conselho tem três integrantes: o ministro da Fazenda, Dario Durigan (presidente); o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo; e o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti.

Desse modo, com a regulamentação aprovada, a expectativa é que as instituições financeiras comecem a oferecer as linhas de crédito do Move Brasil nos próximos meses, permitindo que motoristas de aplicativos e taxistas renovem suas frotas com condições inéditas de financiamento.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.