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Atlas do Hidrogênio Verde coloca RN no mapa global da nova energia limpa

O lançamento do Atlas do Hidrogênio Verde do Rio Grande do Norte reforça o protagonismo do estado na corrida global por fontes limpas de energia. A princípio, o estudo reúne dados técnicos e econômicos que ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
15 de abril de 2026 - às 15:36
Atualizado 15 de abril de 2026 - às 15:36
4 min de leitura

O lançamento do Atlas do Hidrogênio Verde do Rio Grande do Norte reforça o protagonismo do estado na corrida global por fontes limpas de energia.

A princípio, o estudo reúne dados técnicos e econômicos que posicionam o estado como um dos principais candidatos a se tornar polo competitivo dessa nova indústria no país.

Em um cenário de transição energética acelerada, o RN desponta com vantagens estruturais relevantes, especialmente pela combinação de recursos naturais e capacidade de geração renovável.

Base energética garante vantagem competitiva

A produção do hidrogênio verde depende diretamente da eletricidade de fontes limpas — e é justamente nesse ponto que o estado se destaca. O RN possui alta produtividade em energia eólica onshore, aliada à complementaridade com a geração solar e à disponibilidade de litoral, que viabiliza projetos de dessalinização.

Esse conjunto reduz custos, fator decisivo para o setor. Segundo o atlas, a eletricidade pode representar até 70% do valor final do hidrogênio, o que torna regiões com energia renovável abundante mais competitivas.

As estimativas indicam que o custo de produção no estado pode variar entre:

  • US$ 1,92 e US$ 4,20/kg (energia eólica)
  • US$ 3,40 e US$ 3,58/kg (energia solar)

Os valores se aproximam da competitividade com o hidrogênio de origem fóssil, especialmente entre 2030 e 2035.

Litoral Norte desponta como área estratégica

O estudo aponta o litoral norte como principal eixo de desenvolvimento, com destaque para municípios como Mossoró, São Miguel do Gostoso e Tibau.

A região reúne vantagens logísticas, proximidade com parques de geração renovável e disponibilidade de áreas para instalação de complexos industriais. Já existem projetos em fase inicial que preveem investimentos bilionários, incluindo plantas integradas de hidrogênio e amônia verde.

Alto potencial de produção

O potencial técnico estimado chega a 90 milhões de toneladas por ano. Sendo assim. mesmo em um cenário conservador, com apenas 10% de aproveitamento, o volume anual poderia alcançar cerca de 10 milhões de toneladas. Esse número, é suficiente para abastecer o mercado interno e abrir espaço para exportações no médio prazo.

O que é hidrogênio verde?

O hidrogênio verde é o maior exemplo de sustentabilidade do mundo moderno.

O hidrogênio verde é um combustível limpo produzido a partir da eletrólise da água — processo que separa hidrogênio e oxigênio utilizando energia elétrica de fontes renováveis, como vento e sol.

Diferente do hidrogênio tradicional, que é obtido a partir de combustíveis fósseis e gera emissões de carbono. O hidrogênio verde não emite gases poluentes em sua produção, sendo considerado uma peça-chave na transição energética global.

Para que serve o hidrogênio verde?

O hidrogênio verde tem múltiplas aplicações e é visto como um vetor estratégico para descarbonização da economia:

  • Transporte pesado: pode ser usado como combustível para caminhões, navios e aviões
  • Indústria: substitui o hidrogênio fóssil em refinarias e processos industriais
  • Fertilizantes: base para produção de amônia verde
  • Siderurgia: utilizado na produção de aço com menor emissão de carbono
  • Armazenamento de energia: permite estocar energia renovável para uso posterior

Essa versatilidade amplia seu papel econômico e fortalece sua integração com cadeias produtivas já existentes.

cadeia de produção do hidrogenio verde
cadeia de produção do hidrogenio verde foto freepik

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Mercado interno deve liderar início da expansão

Apesar do potencial exportador, a tendência inicial é de desenvolvimento do mercado interno, impulsionado pela necessidade de descarbonização da indústria brasileira. Assim, o alto custo logístico ainda limita a competitividade externa no curto prazo.

Desafios e metas

A consolidação do setor ainda depende de fatores estruturais, como a definição de um marco regulatório, avanços tecnológicos, infraestrutura logística e formação de demanda.

Portanto, mesmo diante desses desafios, o Rio Grande do Norte reúne fundamentos sólidos para ocupar posição de destaque no mercado global de hidrogênio verde. Afinal, a combinação de energia renovável abundante e capacidade de expansão em escala coloca o estado no centro de uma transformação energética que deve ganhar força na próxima década.

Acesse o Atlas de Hidrôgenio Verde do RN aqui.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.