Novo fármaco representa avanço histórico na estratégia de combate ao HIV no Brasil e pode ampliar a adesão à PrEP
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou nesta segunda-feira (12) o uso do medicamento Sunlenca (lenacapavir) para a prevenção do HIV-1, na modalidade de profilaxia pré-exposição (PrEP). A princípio, a decisão marca um avanço significativo na política de prevenção ao HIV, ao incorporar uma tecnologia inovadora que pode transformar a adesão ao tratamento no país.
O Sunlenca apresenta alta eficácia comprovada e traz como principal diferencial a opção de aplicação por injeção subcutânea a cada seis meses. Dessa forma, reduz drasticamente a necessidade de uso diário de comprimidos — um dos principais desafios enfrentados pelos usuários da PrEP tradicional.
Quem pode usar o novo medicamento contra HIV?
A indicação do Sunlenca é voltada para adultos e adolescentes a partir de 12 anos, com peso mínimo de 35 quilos, que estejam em situação de risco para infecção pelo HIV-1. Antes do início do uso, é obrigatória a realização de teste com resultado negativo para HIV-1, conforme determinação da Anvisa.
O medicamento também conta com apresentação oral, mas é a versão injetável, de longa duração, que vem sendo apontada por especialistas como um divisor de águas na prevenção da doença.
Eficácia elevada comprovada em estudos clínicos
Ao mesmo tempo, os dados analisados pela Anvisa mostram resultados expressivos. Em estudos clínicos internacionais, o Sunlenca apresentou:
- 100% de eficácia na redução da incidência de HIV-1 em mulheres cisgênero;
- 96% de eficácia em comparação com a incidência basal da infecção;
- 89% de superioridade em relação à PrEP oral diária tradicional.
Além da eficácia, os estudos indicaram alta taxa de adesão e persistência ao tratamento, justamente por eliminar a necessidade de ingestão diária do medicamento, fator decisivo para o sucesso das políticas de prevenção.
Como o Sunlenca atua no organismo
Segundo a Anvisa, o Sunlenca é um antirretroviral de primeira classe, composto por lenacapavir, que atua de forma inovadora ao inibir múltiplas etapas do ciclo do HIV-1, interferindo diretamente na função do capsídeo do vírus.
Esse mecanismo impede a replicação viral, tornando o HIV incapaz de realizar a transcrição reversa, processo essencial para que o vírus utilize as células do hospedeiro para se multiplicar. Trata-se de uma abordagem inédita entre os medicamentos preventivos disponíveis atualmente.
Próximos passos: preço e possível oferta no SUS
Apesar da aprovação sanitária, o Sunlenca ainda depende da definição do preço máximo pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED). Somente após essa etapa o medicamento poderá avançar para a análise de incorporação no Sistema Único de Saúde (SUS).
A avaliação será conduzida pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec), em conjunto com o Ministério da Saúde, que decidirão sobre a inclusão do medicamento na rede pública.
Importância estratégica para a prevenção do HIV no Brasil
A profilaxia pré-exposição (PrEP) é considerada uma das ferramentas mais eficazes no enfrentamento da epidemia de HIV. Ela integra a chamada prevenção combinada, que reúne ações como:
- testagem regular para HIV;
- uso de preservativos;
- tratamento antirretroviral (TARV);
- profilaxia pós-exposição (PEP);
- cuidados específicos para gestantes soropositivas.
A chegada de um medicamento de aplicação semestral tem potencial para reduzir desigualdades de acesso, ampliar o alcance da PrEP e fortalecer a prevenção em regiões mais vulneráveis, como áreas periféricas e parte do Nordeste brasileiro, onde a adesão a esquemas diários ainda enfrenta barreiras sociais e estruturais.
LEIA TAMBÉM
- Conheça os nordestinos que estão no BBB 26
- Jumento do Nordeste: símbolo vira foco de mobilização para evitar extinção
- Descubra a praia do Nordeste eleita a melhor do mundo
Reconhecimento internacional
O lenacapavir passou a ser recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em julho de 2025, como uma das principais alternativas globais para PrEP. A entidade classificou o medicamento como a melhor opção disponível após uma vacina contra o HIV, que ainda não existe.
Portanto, com a aprovação da Anvisa, o Brasil se posiciona na vanguarda da prevenção ao HIV. Desse modo, reforça seu histórico de protagonismo em políticas públicas de saúde e ampliando as possibilidades de controle da infecção nas próximas décadas.


