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Acordo Mercosul–União Europeia pode impulsionar exportações do Nordeste

A posição geográfica do Nordeste, mais próxima da Europa do que outras regiões do Brasil, é apontada por especialistas como uma vantagem logística relevante.
Eliseu Lins, da Agência NE9
9 de janeiro de 2026 - às 08:08
Atualizado 9 de janeiro de 2026 - às 08:08
3 min de leitura

Votação do tratado na União Europeia reacende debate sobre oportunidades no comércio internacional

A votação do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, realizada nesta quarta-feira (8), volta a colocar o Brasil no centro das discussões sobre integração econômica global.

A princípio, para o Nordeste, a eventual entrada em vigor do tratado representa uma oportunidade estratégica para ampliar exportações, diversificar mercados e fortalecer cadeias produtivas regionais com alto potencial competitivo.

O acordo prevê a redução ou eliminação de tarifas de importação para uma ampla gama de produtos, além de regras mais claras para comércio, investimentos e serviços. Dessa maneira, na prática, isso pode facilitar o acesso de empresas nordestinas a um dos maiores e mais exigentes mercados consumidores do mundo, formado por 27 países e mais de 440 milhões de habitantes.

exportações baianas
Exportações Baianas foto divulgação

Porta aberta para produtos com identidade regional

O Nordeste possui uma pauta exportadora diversificada e alinhada à demanda europeia, especialmente em segmentos como:

  • Frutas frescas e processadas, como manga, melão, uva, limão e castanha de caju
  • Pescados e aquicultura, com destaque para camarão, peixes e lagosta
  • Couros, calçados e artigos têxteis
  • Produtos agroindustriais e alimentos processados
  • Artesanato, moda autoral e bens criativos, com valor agregado e identidade cultural

Com tarifas menores e maior previsibilidade regulatória, esses produtos ganham competitividade frente a fornecedores de outras regiões do mundo.

Logística e localização estratégica favorecem a região

A posição geográfica do Nordeste, mais próxima da Europa do que outras regiões do Brasil, é apontada por especialistas como uma vantagem logística relevante. Entretanto, Portos como Pecém (CE), Suape (PE), Salvador (BA) e Natal (RN) já operam rotas internacionais e podem se beneficiar de maior fluxo comercial com o bloco europeu.

Além disso, zonas industriais, polos logísticos e áreas de processamento de exportação (ZPEs) na região tendem a atrair novos investimentos, especialmente em setores voltados à transformação e agregação de valor.

Desafios e exigências do mercado europeu

Apesar das oportunidades, o acordo também impõe desafios. A União Europeia mantém padrões rigorosos nas áreas ambiental, sanitária e trabalhista. Assim, para empresas nordestinas, isso exige investimentos em certificações, rastreabilidade, sustentabilidade e inovação.

Por outro lado, esses requisitos podem funcionar como um selo de qualidade, elevando o padrão dos produtos regionais e abrindo portas para outros mercados internacionais.

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Nordeste no centro da nova dinâmica comercial

Com políticas de apoio à exportação, programas de capacitação e iniciativas como as da ApexBrasil, o Nordeste vem se posicionando como protagonista no comércio exterior brasileiro. Afinal, o acordo Mercosul–União Europeia, se ratificado, tende a acelerar esse movimento, ampliando o espaço das empresas nordestinas no cenário global.

Portanto, a votação desta quarta-feira é acompanhada com expectativa por governos, empresários e produtores da região, que veem no tratado não apenas um acordo comercial, mas uma chance de consolidar o Nordeste como fornecedor competitivo, sustentável e estratégico para o mercado internacional.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.