Você conhece Jericoacoara, aquele paraíso de dunas e lagoas no Ceará? O lugar é lindo, mas nesta última terça-feira (27) a realidade foi bem diferente das paisagens de cartão-postal. Uma forte chuva transformou as ruas de areia em verdadeiros rios, alagando casas, comércios e causando muitos transtornos para quem mora e visita esse pedacinho do Nordeste.
Assim, vamos entender o que aconteceu, os impactos e uma polêmica que veio à tona: para onde vai o dinheiro da taxa de turismo?
O Temporal que Mudou a Paisagem de Jeri
Na terça-feira (27), a chuva não deu trégua em Jijoca de Jericoacoara. Em pouco tempo, caíram 102 milímetros de água – uma quantidade muito grande para um curto período. Para você ter ideia, foi a terceira maior chuva do estado!
O resultado não poderia ser outro: as ruas, que são naturalmente de areia, viraram canais de água corrente. A força da enxurrada invadiu estabelecimentos e residências, tanto no centro da cidade quanto na famosa Vila de Jericoacoara (Jeri), deixando moradores e turistas em alerta.
População cobra estrutura
O prefeito, Leandro Cezar, explicou que a geografia da vila, com ruas de areia e sem sistema de drenagem urbana, dificulta o escoamento de uma chuva tão intensa e rápida. É um ponto válido.
No entanto, muitos moradores e trabalhadores locais levantaram uma questão importante: a cobrança da taxa de turismo. Em 2025, o município arrecadou mais de R$ 13 milhões com essa taxa, paga por todos os visitantes que acessam a Vila.
A pergunta que fica é: se há tanto dinheiro entrando especificamente para a manutenção de Jeri, por que a estrutura não consegue lidar com eventos como esse?
O Dinheiro da Taxa: Manutenção ou Gestão?
Ao mesmo tempo, o prefeito defendeu a aplicação dos recursos. De acordo com ele, a taxa é usada para:
- Limpeza da vila.
- Usina de reciclagem.
- Manutenção geral.
- Custeio da administração da vila (via Adejeri).
- Fundo para eventos.
Por outro lado, a população questiona se esse valor não poderia ser também investido em melhorias mais profundas na infraestrutura e urbanização, que poderiam prevenir danos em temporais como este.
Os Quebra-Molas que Viraram Barreiras
Contudo, um problema específico piorou a situação: os quebra-molas. Instalados para controlar a velocidade de veículos como buggys e motos, eles acabaram funcionando como barragens. Desse modo, represou a água da chuva e direcionando a enxurrada para dentro das casas.
Um guia turístico ouvido pela reportagem contou: “As casas sendo invadidas pela chuva por conta do quebra-mola, porque a água fica empoçada… e invade as casas”.
Diante dos estragos, o prefeito afirmou que um dos quebra-molas que causou alagamento em uma residência será removido imediatamente.
Resumo dos Pontos-Chave:
Em suma, para ficar mais claro, veja na tabela abaixo os dois lados da situação:
| O Problema (Chuva & Alagamento) | A Explicação da Prefeitura | A Cobrança de Moradores e Comerciantes |
|---|---|---|
| 102 mm de chuva em pouco tempo. | Geografia local e falta de drenagem nas ruas de areia. | Questionam o uso dos R$ 13 mi da taxa de turismo arrecadados em 2025. |
| Invasão de água em casas e comércios. | Foi um evento climático extremo e rápido. | Cobram investimento em infraestrutura para prevenir danos. |
| Quebra-molas impediram o escoamento e pioraram alagamentos. | Foram instalados a pedido dos moradores para controle de velocidade. | Os obstáculos pioraram o problema, direcionando água para as residências. |
| Transtorno geral para comunidade e turismo. | Equipes em plantão para recuperar estragos. | Sentem que a arrecadação não se reverte em melhoria visível para a vila. |
E Agora?
Enquanto as equipes municipais trabalham para limpar e recuperar os estragos, o temporal deixou uma lição clara: Jericoacoara precisa de um olhar atento para o seu planejamento urbano.
É preciso equilibrar a preservação do charme rústico da vila com a implementação de soluções inteligentes que garantam segurança e qualidade de vida para quem vive ali e recebe os turistas.


