Depois de mais de um mês de pausa, os melhores surfistas do mundo voltam à água neste sábado (8) para uma das etapas mais aguardadas do Championship Tour (CT) da World Surf League (WSL).
A janela do Tahiti Pro acontece entre 8 e 18 de agosto, em Teahupo’o, no Taiti, uma das ondas mais pesadas e perigosas do circuito mundial.
E o retorno pode acontecer em grande estilo.
A princípio, as previsões apontam a chegada de fortes ondulações durante os primeiros dias da janela, incluindo possibilidade de condições gigantes no domingo.
Para o Brasil, a etapa também abre uma fase decisiva da temporada. O potiguar Ítalo Ferreira é o vice-líder do ranking mundial, enquanto cinco brasileiros aparecem atualmente entre os seis primeiros colocados do masculino.
Teahupo’o abre reta decisiva do Mundial

A etapa do Taiti é a sétima das 12 previstas para a temporada 2026.
Depois dela, o circuito segue para Fiji e posteriormente para Trestles, na Califórnia, onde acontecerá o corte que reduzirá o número de competidores que continuam na disputa.
Por isso, cada bateria começa a valer muito mais para quem está próximo da zona de eliminação.
Contudo, na parte de cima, a briga é completamente diferente: os principais colocados começam a pensar na construção de uma campanha capaz de chegar à reta final do ano brigando pelo título mundial.
Ítalo Ferreira chega como vice-líder

Único nordestino no CT em 2026, Ítalo Ferreira desembarca no Taiti em excelente situação.
O campeão mundial e olímpico aparece na segunda colocação com 33.930 pontos, apenas 85 atrás do líder, o italiano Leonardo Fioravanti, que soma 34.015.
Assim, uma grande campanha em Teahupo’o pode, portanto, colocar o surfista de Baía Formosa, no Rio Grande do Norte, na liderança do Mundial.
Cinco brasileiros aparecem entre os seis primeiros
A situação brasileira na parte de cima do ranking impressiona.
| Surfista | Ranking | Pontos | Situação |
|---|---|---|---|
| Ítalo Ferreira (RN) | 2º | 33.930 | Briga pela liderança |
| Yago Dora | 3º | 32.950 | Briga pelo título |
| Gabriel Medina | 4º | 27.600 | Especialista em Teahupo’o |
| Miguel Pupo | 5º | 27.130 | Já venceu no Taiti |
| Samuel Pupo | 6º | 24.640 | Bem colocado para o corte |
| Filipe Toledo | 15º | 17.150 | Precisa somar pontos |
| João Chianca | 17º | 15.120 | Próximo da zona perigosa |
| Alejo Muniz | 24º | 10.640 | Pressionado pelo corte |
| Mateus Herdy | 28º | 9.245 | Dentro da zona de corte |
Yago Dora continua forte na defesa do título
Atual campeão mundial, Yago Dora ocupa a terceira colocação, com 32.950 pontos.
O brasileiro vem de vitória na etapa de Saquarema e está a menos de mil pontos da liderança. Dessa maneira, Yago tem conseguido manter regularidade e chega ao Taiti novamente colocado entre os principais candidatos ao título de 2026.
Medina encontra uma de suas ondas favoritas
Se existe um lugar no calendário em que Gabriel Medina não pode ser descartado, é Teahupo’o.
O tricampeão mundial aparece na quarta colocação do ranking, com 27.600 pontos, e conhece como poucos os tubos do Taiti.
Mas Medina não teve um bom resultado em Saquarema, sendo eliminado logo em sua estreia, mas Teahupo’o oferece um cenário completamente diferente e historicamente favorável ao seu surfe.
Entretanto, ele chega ao Taiti também depois de dias difíceis na vida pessoal. Medina se casou recentemente e, posteriormente, o casal revelou a perda do primeiro filho.
Miguel Pupo já sabe como vencer em Teahupo’o
Logo atrás de Medina aparece Miguel Pupo, quinto colocado com 27.130 pontos.
E existe um motivo adicional para ficar de olho nele. Miguel venceu a etapa de Teahupo’o em 2022, derrotando na decisão o local Kauli Vaast. Logo, o conhecimento da onda pode novamente fazer diferença.
Seu irmão Samuel Pupo, sexto colocado com 24.640 pontos, busca um resultado importante para consolidar sua posição entre os primeiros do campeonato.
Filipe Toledo terá mais um desafio pessoal
Filipe Toledo aparece na 15ª colocação, com 17.150 pontos.
Apesar de ser bicampeão mundial e possuir um dos repertórios técnicos mais completos do circuito, Teahupo’o historicamente representa um dos maiores desafios de sua carreira.
Uma boa campanha em condições grandes no Taiti teria, portanto, peso importante tanto na classificação quanto no aspecto esportivo.
Chianca, Alejo e Herdy pressionados
Mais abaixo na tabela, a preocupação brasileira aumenta. João Chianca está em 17º, com 15.120 pontos, enquanto Alejo Muniz ocupa a 24ª posição, com 10.640.
Mateus Herdy aparece em 28º, somando 9.245 pontos, e já está diretamente ameaçado pelo corte.
Herdy, entretanto, vem conseguindo bons resultados no Challenger Series, caminho que também pode permitir seu retorno à elite em 2027.
Alejo Muniz, por sua vez, caminha para sua despedida do circuito mundial. O experiente brasileiro já viveu grandes momentos em Teahupo’o, incluindo onda avaliada com nota 10.
Luana Silva mantém Brasil na disputa feminina
No feminino, o Brasil tem apenas Luana Silva na elite em 2026.v ela está muito bem posicionada.
Luana ocupa a quarta colocação do ranking, com 31.835 pontos, e tenta novamente avançar às fases finais para permanecer na disputa pelo título mundial.
Teahupo’o será mais um teste importante antes da sequência decisiva da temporada.
Previsão aponta ondas enormes
A previsão é um dos principais assuntos antes do início da competição.
A janela vai de 8 a 18 de agosto, e uma forte ondulação está prevista justamente para os primeiros dias.
| Dia | Previsão inicial |
|---|---|
| Sábado (8) | 8–12 pés |
| Domingo (9) | 15–18 pés |
| Segunda (10) | 8–12 pés |
| Terça (11) | 6–8 pés |
O domingo chama especialmente atenção pela possibilidade de ondas chegando à faixa de 15 a 18 pés.
Além do tamanho do swell, outro fator será acompanhado pela organização: o vento Maraamu, que poderá influenciar diretamente a qualidade das ondas.
Contudo, como toda previsão marítima, as condições podem mudar até o início das baterias.
Brasileiros já conhecem primeiros adversários
Os confrontos divulgados colocam alguns brasileiros diante de baterias interessantes logo no começo da campanha.
Samuel Pupo terá Alan Cleland, enquanto Filipe Toledo enfrenta Connor O’Leary.
Ítalo Ferreira aguarda um classificado da primeira rodada.
João Chianca pega Morgan Cibilic e Alejo Muniz enfrenta Kanoa Igarashi.
Gabriel Medina também aguarda o vencedor de uma bateria anterior.
Um dos confrontos brasileiros chama especialmente atenção: Miguel Pupo e Mateus Herdy estarão frente a frente, o que obrigatoriamente eliminará um brasileiro.
Kelly Slater pode cruzar o caminho de Medina
Outro grande atrativo da etapa será a presença de Kelly Slater.
Aos 54 anos, o 11 vezes campeão mundial recebeu wildcard para competir em Teahupo’o, justamente em um evento patrocinado pela Outerknown, marca fundada pelo norte-americano.
Slater aparece na quarta bateria da primeira fase.
Se avançar pelo caminho previsto pela chave, poderá entrar na rota de Gabriel Medina.
Um encontro entre os dois seria uma das grandes atrações da etapa. Slater e Medina protagonizaram algumas das disputas mais marcantes das últimas décadas e estão entre os surfistas mais respeitados quando Teahupo’o apresenta tubos grandes.
Como assistir ao Tahiti Pro WSL?
A WSL transmite as baterias ao vivo e gratuitamente pela internet.
No Brasil, a principal opção é acompanhar pelo canal oficial da WSL no YouTube e pelas plataformas digitais da liga.
A transmissão internacional normalmente é disponibilizada em inglês e portugues.
Por causa do fuso horário, o público brasileiro deverá ficar atento: quando a competição começar pela manhã no Taiti, as baterias tendem a entrar durante a tarde no horário de Brasília. Chamada ás 14h.
Portanto, com previsão de mar grande, disputa pela liderança entre Ítalo Ferreira e Leonardo Fioravanti e vários brasileiros brigando pelas primeiras posições, Teahupo’o pode representar uma virada importante no Mundial de 2026.


