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UFRN tem tecnologia que transforma resíduos de frutas em insumo industrial

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) desenvolveram um processo inovador para a produção de carboximetil holocelulose (CMHC), utilizando resíduos de frutas como abacaxi e manga. A principio, a tecnologia, que já ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
30 de março de 2026 - às 08:04
Atualizado 30 de março de 2026 - às 08:04
4 min de leitura
Tecnologia pode ser aplicada nas indústrias farmacêutica, alimentícia, de cosméticos e do petróleo Foto Cícero Oliveira
Tecnologia pode ser aplicada nas indústrias farmacêutica, alimentícia, de cosméticos e do petróleo Foto Cícero Oliveira

Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) desenvolveram um processo inovador para a produção de carboximetil holocelulose (CMHC), utilizando resíduos de frutas como abacaxi e manga.

A principio, a tecnologia, que já teve pedido de patente depositado, surge como uma alternativa mais sustentável à tradicional carboximetilcelulose (CMC), amplamente usada na indústria.

Ao mesmo tempo, o diferencial está no aproveitamento integral da biomassa vegetal. Dessa forma, inclui celulose e hemicelulose — componentes frequentemente descartados — o que aumenta o rendimento e reduz custos.

Matéria-prima vem de resíduos de frutas, como abacaxi e manga. Foto Cícero Oliveira

Processo mais eficiente e sustentável

Em suma, a nova tecnologia permite produzir CMHC com:

  • Menor consumo de reagentes químicos
  • Redução no uso de energia
  • Menor geração de efluentes
  • Maior rendimento do material final

O método foi desenvolvido durante o mestrado da pesquisadora Elaine Souza e coordenado por especialistas do Laboratório de Tecnologias Energéticas (LABTEN).

De acordo com a professora Luciene Santos, o processo valoriza resíduos abundantes no país e contribui diretamente para a economia circular.

Professora Luciene Santos (ao centro), coordenadora do LABTEN, destaca a viabilidade econômica e socioambiental da invenção. Foto Cícero Oliveira

O que é a CMHC e por que ela importa?

A carboximetil holocelulose (CMHC) é um biopolímero com propriedades semelhantes às da CMC, substância amplamente utilizada como:

  • Espessante
  • Estabilizante
  • Agente formador de filme

A inovação da UFRN está em incorporar a hemicelulose ao produto final, o que:

  • Aumenta o aproveitamento da matéria-prima
  • Reduz desperdícios industriais
  • Diminui o custo de produção

Aplicações em diversos setores

A tecnologia tem potencial para atender diferentes segmentos da indústria:

Indústria alimentícia

  • Sorvetes
  • Bebidas lácteas
  • Sobremesas

Cosméticos e higiene pessoal

  • Cremes
  • Xampus
  • Produtos hidratantes

Setor farmacêutico

  • Formulação de comprimidos
  • Colírios lubrificantes

Indústria do petróleo

  • Fluidos industriais
  • Aplicações técnicas em perfuração

Além disso, a CMHC pode ser usada na produção de embalagens biodegradáveis, reforçando o apelo sustentável da inovação.

Tecnologia já validada em laboratório

Contudo, o processo encontra-se em nível de maturidade tecnológica TRL 4, o que significa que já foi validado em ambiente laboratorial, com resultados estáveis e reprodutíveis.

Agora, o foco dos pesquisadores é:

  • Escalar a produção para nível industrial
  • Testar aplicações em diferentes setores
  • Desenvolver novos derivados de celulose e hemicelulose

Inovação alinhada à economia circular

Antes de mais nada, a proposta reforça o papel da universidade na criação de soluções sustentáveis, ao transformar resíduos agroindustriais em insumos de alto valor agregado.

Assim, a pesquisa está vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Química da UFRN e integra ações de formação acadêmica, envolvendo estudantes e pesquisadores em diferentes níveis.

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Impacto para o futuro

Em suma, a tecnologia desenvolvida pela UFRN aponta para um novo modelo de produção industrial, baseado em:

  • Aproveitamento de resíduos
  • Redução de impactos ambientais
  • Inovação em materiais sustentáveis

Portanto, com potencial de aplicação em larga escala, a inovação posiciona o Rio Grande do Norte como referência em pesquisa voltada à sustentabilidade e à indústria verde. Desse modo, conecta ciência, economia e preservação ambiental.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.