Pesquisadores da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) desenvolveram um processo inovador para a produção de carboximetil holocelulose (CMHC), utilizando resíduos de frutas como abacaxi e manga.
A principio, a tecnologia, que já teve pedido de patente depositado, surge como uma alternativa mais sustentável à tradicional carboximetilcelulose (CMC), amplamente usada na indústria.
Ao mesmo tempo, o diferencial está no aproveitamento integral da biomassa vegetal. Dessa forma, inclui celulose e hemicelulose — componentes frequentemente descartados — o que aumenta o rendimento e reduz custos.

Processo mais eficiente e sustentável
Em suma, a nova tecnologia permite produzir CMHC com:
- Menor consumo de reagentes químicos
- Redução no uso de energia
- Menor geração de efluentes
- Maior rendimento do material final
O método foi desenvolvido durante o mestrado da pesquisadora Elaine Souza e coordenado por especialistas do Laboratório de Tecnologias Energéticas (LABTEN).
De acordo com a professora Luciene Santos, o processo valoriza resíduos abundantes no país e contribui diretamente para a economia circular.

O que é a CMHC e por que ela importa?
A carboximetil holocelulose (CMHC) é um biopolímero com propriedades semelhantes às da CMC, substância amplamente utilizada como:
- Espessante
- Estabilizante
- Agente formador de filme
A inovação da UFRN está em incorporar a hemicelulose ao produto final, o que:
- Aumenta o aproveitamento da matéria-prima
- Reduz desperdícios industriais
- Diminui o custo de produção
Aplicações em diversos setores
A tecnologia tem potencial para atender diferentes segmentos da indústria:
Indústria alimentícia
- Sorvetes
- Bebidas lácteas
- Sobremesas
Cosméticos e higiene pessoal
- Cremes
- Xampus
- Produtos hidratantes
Setor farmacêutico
- Formulação de comprimidos
- Colírios lubrificantes
Indústria do petróleo
- Fluidos industriais
- Aplicações técnicas em perfuração
Além disso, a CMHC pode ser usada na produção de embalagens biodegradáveis, reforçando o apelo sustentável da inovação.
Tecnologia já validada em laboratório
Contudo, o processo encontra-se em nível de maturidade tecnológica TRL 4, o que significa que já foi validado em ambiente laboratorial, com resultados estáveis e reprodutíveis.
Agora, o foco dos pesquisadores é:
- Escalar a produção para nível industrial
- Testar aplicações em diferentes setores
- Desenvolver novos derivados de celulose e hemicelulose
Inovação alinhada à economia circular
Antes de mais nada, a proposta reforça o papel da universidade na criação de soluções sustentáveis, ao transformar resíduos agroindustriais em insumos de alto valor agregado.
Assim, a pesquisa está vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Química da UFRN e integra ações de formação acadêmica, envolvendo estudantes e pesquisadores em diferentes níveis.
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Impacto para o futuro
Em suma, a tecnologia desenvolvida pela UFRN aponta para um novo modelo de produção industrial, baseado em:
- Aproveitamento de resíduos
- Redução de impactos ambientais
- Inovação em materiais sustentáveis
Portanto, com potencial de aplicação em larga escala, a inovação posiciona o Rio Grande do Norte como referência em pesquisa voltada à sustentabilidade e à indústria verde. Desse modo, conecta ciência, economia e preservação ambiental.



