O cenário político brasileiro começa a se mexer intensamente nos próximos dias. Com o prazo de desincompatibilização eleitoral marcado para 4 de abril, quem pretende disputar as eleições de outubro precisa deixar os cargos públicos até essa data. E no governo do presidente Lula, muitos ministros nordestinos vão participar dessa dança das cadeiras.
A princípio, está prevista uma das maiores reformas ministeriais desde a redemocratização do país. Pelo menos 16 ministros devem deixar suas pastas para se lançar na disputa por governos estaduais, vagas no Senado ou na Câmara dos Deputados.
E o Nordeste tem um papel de destaque nesse movimento. Vários ministros nordestinos estão entre os que vão sair do governo para tentar uma vaga no Legislativo ou no comando dos seus estados. Além disso, o principal articulador político da região também deixa o cargo para atuar nos bastidores.
Quem são os ministros nordestinos que vão disputar as eleições?
Antes de mais nada, o nome que mais chama atenção é o de Camilo Santana, atual ministro da Educação. Ao mesmo tempo, outros ministros nascidos ou com atuação forte no Nordeste também deixam o governo para concorrer a cargos eletivos. Veja na tabela abaixo:
| Ministro | Pasta | Estado de atuação | Cargo pretendido |
|---|---|---|---|
| Camilo Santana | Educação (MEC) | Ceará | Articulação política (candidatura como plano B) |
| Renan Filho | Transportes | Alagoas | Governador de Alagoas |
| André Fufuca | Esportes | Maranhão | Deputado Federal |
| Jader Filho | Cidades | Pará | Deputado Federal |
| Sílvio Costa Filho | Portos e Aeroportos | Pernambuco | Deputado Federal |
| Rui Costa | Casa Civil | Bahia | Senador |
O ministro Rui Costa, atual chefe da Casa Civil e ex-governador da Bahia, é um dos nomes mais fortes da lista. Ele deve deixar o governo para concorrer a uma vaga no Senado pelo seu estado.
Já Renan Filho, que comanda o Ministério dos Transportes, vai disputar o governo de Alagoas, estado onde já foi governador e construiu grande parte de sua trajetória política.
Na Câmara dos Deputados, três ministros nordestinos devem entrar na disputa: André Fufuca (Maranhão), Jader Filho (Pará) e Sílvio Costa Filho (Pernambuco).
E fora do Nordeste, quem mais sai?
A reforma ministerial não se restringe à região. Outros nomes de peso também deixam o governo para concorrer em diferentes estados:
| Ministro | Pasta | Estado | Cargo pretendido |
|---|---|---|---|
| Fernando Haddad | Fazenda | São Paulo | Governador |
| Simone Tebet | Planejamento | São Paulo | Senadora |
| Gleisi Hoffmann | Relações Institucionais | Paraná | Senadora |
| Marina Silva | Meio Ambiente | São Paulo | Senadora |
| Carlos Fávaro | Agricultura | Mato Grosso | Senador (reeleição) |
| Waldez Góes | Integração Regional | Amapá | Senador |
| Alexandre Silveira | Minas e Energia | Minas Gerais | Senador |
| Sônia Guajajara | Povos Indígenas | São Paulo | Deputada Federal |
| Paulo Teixeira | Desenvolvimento Agrário | São Paulo | Deputado Federal |
| Anielle Franco | Igualdade Racial | Rio de Janeiro | Deputada Federal |
Além desses, o ministro da Secretaria de Comunicação, Sidônio Palmeira, também deve deixar o cargo mais adiante para atuar na campanha de reeleição de Lula. Já o vice-presidente Geraldo Alckmin, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, ainda não definiu seu futuro: pode disputar o Senado ou permanecer na chapa presidencial.
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O que acontece depois que os ministros saem?
Para que o governo não pare, a transição será rápida. A expectativa é que os secretários-executivos (os “vices” de cada ministério) assumam as pastas interinamente até a chegada dos novos titulares. As mudanças devem ser ocorrer em bloco, para reorganizar a base política e garantir a continuidade da gestão.
Por que tanta mudança agora?
Em suma, o prazo de 4 de abril é determinado pela legislação eleitoral. Quem quer concorrer a um cargo nas eleições de outubro precisa se afastar dos cargos públicos até essa data. Por isso, o período que antecede o prazo é marcado por uma intensa movimentação nos ministérios e nos governos estaduais e municipais.
Assim, com essa enxurrada de saídas, o governo Lula se prepara para uma das suas maiores transformações desde o início do mandato. E o Nordeste, como sempre, segue no centro das articulações políticas do país.



