Início » Cotidiano » Projeto quer mudar a forma de pagar multas de trânsito

Cotidiano

Projeto quer mudar a forma de pagar multas de trânsito

Você já ouviu falar de alguém que comprou um carro usado e, meses depois, começou a receber multas que não foram feitas por ele? Pois é. Essa história é mais comum do que parece. Mas ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
6 de abril de 2026 - às 08:08
Atualizado 6 de abril de 2026 - às 08:08
5 min de leitura

Você já ouviu falar de alguém que comprou um carro usado e, meses depois, começou a receber multas que não foram feitas por ele? Pois é. Essa história é mais comum do que parece. Mas uma boa notícia pode estar a caminho.

Um projeto de lei que já passou pela Câmara dos Deputados e agora está no Senado promete acabar com essa injustiça. A princípio, a ideia é simples e faz todo o sentido: quem compra um veículo usado não pode ser responsabilizado por multas que o antigo dono cometeu depois da venda.

Assim, vamos entender direitinho como funciona essa proposta e por que ela é importante para você.

Qual é o problema hoje?

Hoje, quando você compra um carro usado e transfere a propriedade para o seu nome, ainda corre o risco de levar sustos depois. Isso acontece porque o sistema de multas tem um prazo de até 360 dias para registrar uma infração. Ou seja: o antigo dono pode ter cometido uma infração antes da venda, mas a multa só aparece no sistema meses depois — e vai parar no nome do novo dono.

O resultado? Você paga por algo que não fez. Injusto, não é mesmo?

O que muda com as multas de trânsito com o novo projeto?

O projeto de lei (número 3.509/2024) altera o Código de Trânsito Brasileiro para proteger quem compra um veículo usado. A principal mudança é esta:

As multas cometidas pelo antigo dono e que só forem registradas no sistema depois da transferência do veículo ficam ligadas ao antigo dono — e não ao carro nem ao novo comprador.

Ou seja, a multa “segue” o infrator de verdade, não o veículo. Isso é uma virada de chave importante.

Como ocorre o pagamento de multas hoje em dia

SituaçãoComo é hojeComo fica se o projeto for aprovado
Antigo dono comete infração antes da vendaA multa pode cair no nome do novo dono se for registrada depoisA multa fica com o antigo dono, mesmo que o registro seja posterior
Comprador transfere o veículo para seu nomeEle pode ser surpreendido com multas antigasEle fica protegido contra multas que não estavam no sistema no momento da venda
Prazo para registrar multa no sistema (Renainf)Até 360 diasContinua o mesmo, mas a multa não “cola” no novo dono
Segurança jurídica na transferênciaPode gerar insegurançaFica mais clara e segura para ambas as partes
transito de Maceió foto secom Prefeitura
Com o projeto, muitos motoristas não terão mais dor de cabeça das multas do antigo dono. Foto: Prefeitura de Maceió.

Por que o projeto é justo?

O autor da proposta, ex-deputado Pedro Jr., explicou muito bem o motivo: o prazo de 360 dias para incluir a multa no sistema é tão longo que nem o vendedor nem o comprador sabem da existência da infração no momento da venda.

Isso cria uma armadilha. A pessoa faz a transferência de forma correta, acreditando que está tudo certo, e depois aparece uma surpresa desagradável. Com a nova regra, essa surpresa acaba. A multa vai para quem realmente merece: o antigo proprietário.

O que falta para virar lei?

O projeto já teve aprovação na Câmara dos Deputados. Agora ele está no Senado, onde aguarda distribuição para as comissões (grupos de senadores que analisam o tema). Depois disso, segue para votação no Plenário. Se for aprovado e sancionado, vira lei.

Ainda não tem data para acontecer, mas a proposta já está em andamento. E olha: é daquelas leis que todo mundo entende e apoia, porque traz justiça para o cidadão comum.

E na prática, o que eu faço enquanto isso?

Enquanto o projeto não vira lei, vale a pena tomar alguns cuidados na hora de comprar um carro usado:

  • Consulte o veículo no aplicativo da carteira digital de trânsito ou em sites oficiais para ver se há multas registradas.
  • Peça ao vendedor uma certidão negativa de débitos.
  • Coloque no contrato de compra e venda uma cláusula que diga que multas anteriores à transferência são de responsabilidade do vendedor.

Assim, você se protege mesmo antes da lei mudar.

LEIA TAMBÉM:

Comprar carro usado exige atenção

Comprar um carro usado já é uma decisão que exige atenção: estado do veículo, quilometragem, documentação, preço. Não faz sentido o comprador ainda ter que se preocupar com multas que não cometeu.

O projeto de lei que tramita no Senado é um passo enorme em direção ao bom senso. Ele protege o cidadão, desburocratiza o sistema e coloca a responsabilidade no lugar certo: com quem realmente cometeu a infração.

Tomara que os senadores aprovem essa ideia rápido, não é mesmo? Afinal, justiça no trânsito também começa fora das estradas.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.