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Por que Trump e o governo dos EUA atacam tanto o Pix?

Você já deve ter ouvido falar que o governo dos Estados Unidos está “atacando” o Pix. Mas por que um sistema de pagamentos brasileiro incomoda tanto os americanos? E, mais importante: eles podem fazer alguma ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
10 de abril de 2026 - às 08:08
Atualizado 10 de abril de 2026 - às 08:08
4 min de leitura
Pix é o pagamento instantâneo brasileiro. O meio de pagamento criado pelo Banco Central (BC) em que os recursos são transferidos entre contas em poucos segundos, a qualquer hora ou dia. É prático, rápido e seguro.

Você já deve ter ouvido falar que o governo dos Estados Unidos está “atacando” o Pix. Mas por que um sistema de pagamentos brasileiro incomoda tanto os americanos? E, mais importante: eles podem fazer alguma coisa contra ele?

Vamos explicar essa história de forma simples e direta.

O que aconteceu?

A princípio, o Pix foi criado pelo Banco Central do Brasil e se tornou uma das maiores histórias de sucesso do país. Ao mesmo tempo, ele permite transferências instantâneas e gratuitas para pessoas físicas, o que revolucionou a forma como os brasileiros pagam contas, compram produtos e enviam dinheiro.

No entanto, o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) — a mesma agência que já investiga o Pix desde julho do ano passado — publicou um novo relatório no dia 31 de março. Nesse documento, os americanos acusam o Brasil de dar “tratamento preferencial” ao Pix, o que prejudicaria empresas dos EUA que atuam no setor de pagamentos eletrônicos.

Dessa forma, o governo Trump, por meio da USTR, alega que o Banco Central brasileiro exige que instituições financeiras com mais de 500 mil contas usem o Pix. Para os americanos, isso seria uma “prática desleal”.

O que o governo brasileiro diz?

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi firme na resposta: “O Pix é do Brasil. Ninguém vai fazer a gente mudar o Pix.” O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, também saiu em defesa do sistema brasileiro e pediu que o modelo seja estendido a seu país.

Por que os EUA se incomodam tanto com o Pix?

A resposta está no dinheiro (e no poder). O Pix concorre diretamente com empresas americanas de cartão de crédito, como Visa e Mastercard, e com gigantes da tecnologia (big techs) que oferecem serviços de pagamento. Como o Pix é gratuito para pessoas físicas e extremamente eficiente, ele reduz o uso de cartões e outras formas de pagamento que geram taxas para essas empresas.

O que os EUA podem fazer contra o Pix?

Aqui vai um alívio: os Estados Unidos não têm poder para mexer diretamente no Pix. Eles não podem desligar o sistema, nem proibir os brasileiros de usá-lo.

No entanto, eles podem usar armas comerciais para pressionar o Brasil. Essas ferramentas estão previstas na chamada Seção 301 do Trade Act de 1974, a mesma lei usada para abrir a investigação.

Veja na tabela abaixo o que os EUA podem fazer:

O que os EUA podem fazerO que isso significa na prática
Suspender benefícios comerciaisRetirar vantagens que o Brasil tem em acordos com os EUA
Restringir importaçõesDificultar a entrada de produtos brasileiros no mercado americano
Impor tarifas (sobretaxas)Aumentar o preço do que o Brasil vende para os EUA, como aço, suco de laranja, café, etc.
Retirar o Brasil do Sistema Geral de Preferências (SGP)Tirar benefícios tarifários que ajudam países em desenvolvimento

Ou seja, os americanos podem usar o comércio como forma de pressão. Eles podem criar um “tarifaço” contra produtos brasileiros, tornando nossas exportações mais caras e menos competitivas.

imagem do presidente Trump
A política econômica de Trup defende os interesses dos EUA.

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E agora? O que vai acontecer?

A investigação da USTR ainda está em andamento e não tem data para terminar. O governo brasileiro já se posicionou contra as críticas e tem aliados internacionais, como a Colômbia, que apoiam o modelo do Pix.

Por enquanto, o Pix continua funcionando normalmente e não corre risco de acabar. Mas o caso mostra como a tecnologia brasileira se tornou tão boa que incomoda até as maiores potências do mundo.

Resumo

  • O Pix é alvo dos EUA porque concorre com empresas americanas de cartões e pagamentos.
  • Os EUA não podem mexer diretamente no Pix — não têm poder para isso.
  • Eles podem, sim, criar barreiras comerciais contra produtos brasileiros, como tarifas e restrições de importação.
  • O governo brasileiro já reagiu e defendeu o sistema.
  • A investigação continua, mas o Pix continua funcionando normalmente.
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Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.