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Nordeste vai ganhar sua piscina de ondas e deve revolucionar o surf na região

Esse tipo de estrutura já é tendência global e vem sendo adotado tanto para alto rendimento quanto para turismo e lazer.
Eliseu Lins, da Agência NE9
7 de abril de 2026 - às 09:29
Atualizado 7 de abril de 2026 - às 09:29
5 min de leitura

O Nordeste está prestes a viver uma transformação histórica no surf. A cidade de João Pessoa será sede da primeira piscina de ondas da região, instalada no Polo Turístico Cabo Branco, utilizando a tecnologia da Surf Loch.

A princípio, o projeto coloca a Paraíba no mapa da inovação do surfe mundial e pode mudar a forma como o esporte é praticado, treinado e consumido no Nordeste.

O que é a tecnologia Surf Loch

A Surf Loch é uma das tecnologias mais avançadas do mundo quando o assunto é geração de ondas artificiais. Além disso, diferente de sistemas tradicionais, ela utiliza um mecanismo de deslocamento de água com alta precisão, permitindo criar ondas consistentes, com formato controlado e repetição quase perfeita.

Na prática, isso significa:

  • ondas surfáveis o tempo todo
  • possibilidade de ajustar tamanho e dificuldade
  • ambiente ideal para treino técnico
  • previsibilidade total (sem depender do mar)

Esse tipo de estrutura já é tendência global e vem sendo adotado tanto para alto rendimento quanto para turismo e lazer.

Três modelos de uso

O complexo na Paraíba deve operar com três formatos comerciais, ampliando o acesso ao público:

  1. Day Use – Sessões pagas por período, semelhante ao modelo da Wavegarden Garopaba
  2. Assinatura
  3. Proprietário de flat ( long stays)

A ideia é atender desde iniciantes até atletas profissionais.

João Pessoa como hub do surf nordestino

Um dos pontos mais estratégicos do projeto é a localização de João Pessoa. A capital está posicionada de forma privilegiada, com fácil acesso a diversos estados da região:

  • Rio Grande do Norte
  • Pernambuco
  • Ceará
  • Alagoas
  • Paraíba (interior e litoral)

Essa centralidade logística transforma a cidade em um hub natural do surf nordestino, com potencial para atrair praticantes de toda a região.

Na prática, surfistas que antes dependiam exclusivamente das condições do mar em seus estados agora terão uma estrutura de padrão internacional relativamente próxima.

Impacto direto no surf nordestino

A chegada da piscina de ondas representa uma mudança estrutural para o surf na região.

Principais impactos:

  • treinamento constante, independente das condições do mar
  • evolução técnica mais rápida de atletas
  • atração de competições e eventos
  • fortalecimento da indústria do surf local
  • aumento da visibilidade nacional e internacional

Além disso, a previsibilidade das ondas permite treinos repetitivos — algo impossível no mar — elevando o nível competitivo dos surfistas.

A escolha da Paraíba não é por acaso. O estado já revelou grandes nomes do surf brasileiro, como:

  • Fábio Gouveia
  • Saulo Carvalho
  • Tony Vaz
  • Otávio Lima
  • Jano Belo
  • Diana Cristina
  • Samuel Igo
  • José Francisco

E uma nova geração já desponta com força:

  • Kauã Hanson
  • Yuri Barros
  • Felipe Homsi
  • Artur Vilar
  • Yago Beloti

Com a piscina, esses atletas passam a ter um centro de treinamento de nível internacional “no quintal de casa”.

Mudança no mercado do surf

A novidade também deve impactar o mercado:

  • surgimento de escolas especializadas
  • turismo esportivo durante todo o ano
  • atração de marcas e patrocinadores
  • geração de empregos diretos e indiretos

A tendência é que João Pessoa se torne um novo polo do surf brasileiro, semelhante ao que já acontece em regiões com piscinas de ondas no Sul e Sudeste.

Pontos positivos:

  • democratização do acesso ao surf
  • formação de novos atletas
  • fortalecimento da economia local
  • independência das condições climáticas

Desafios:

  • custo das sessões pode limitar acesso
  • debate ambiental sobre uso de recursos
  • adaptação do público tradicional do surf
  • necessidade de integração com o surf “de mar”

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Uma nova era para o surf no Nordeste

A chegada da tecnologia Surf Loch marca o início de uma nova fase para o surf nordestino. Mais do que uma atração turística, o equipamento representa uma mudança de paradigma — onde o treino, o lazer e o mercado passam a girar também em torno de ondas artificiais.

Portanto, com tradição, talentos e agora tecnologia de ponta, a Paraíba dá um passo importante para consolidar o Nordeste como potência no surf brasileiro.

Afinal, e, a partir de agora, o cenário muda: além do mar, o futuro do surf também passa por piscinas — e João Pessoa está pronta para surfar essa nova onda.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.