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Nordeste terá investimento milionário para produção audiovisual

O cinema e a produção audiovisual brasileira acabaram de ganhar um impulso poderoso. Na última terça-feira (24), em Recife, o Ministério da Cultura (MinC) assinou os Termos de Complementação da Linha de Arranjos Regionais. Antes ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
25 de março de 2026 - às 11:05
Atualizado 25 de março de 2026 - às 11:05
5 min de leitura

O cinema e a produção audiovisual brasileira acabaram de ganhar um impulso poderoso. Na última terça-feira (24), em Recife, o Ministério da Cultura (MinC) assinou os Termos de Complementação da Linha de Arranjos Regionais. Antes de mais nada, essa iniciativa vai mobilizar mais de R$ 630 milhões em investimentos para o setor em todo o país.

O evento, realizado na capital pernambucana, marcou o início de uma nova fase de cooperação entre o governo federal, estados e municípios. E o Nordeste, como berço dessa articulação, tem tudo para ser um dos grandes protagonistas dessa história.

Mas o que são esses “Arranjos Regionais”? Quem vai ser beneficiado? E por que esse investimento é tão importante? Vamos explicar.

O que são os Arranjos Regionais?

A princípio, os Arranjos Regionais são uma política pública que combina recursos de diferentes esferas de governo para fortalecer o audiovisual em todas as regiões do Brasil. Dessa forma, a ideia é simples e inteligente:

  • Governo Federal (por meio do Fundo Setorial do Audiovisual) entra com recursos.
  • Estados e municípios também investem.
  • Quanto mais os governos locais aportam, mais o governo federal pode complementar, ampliando o valor total.

Ao mesmo tempo, cada real investido por estados e municípios pode ser somado a recursos adicionais do fundo federal. Desse modo, multiplica o impacto dos investimentos locais.

Quem participa e como os recursos serão aplicados?

Portanto, os recursos serão distribuídos por todo o país, com atenção especial para iniciativas fora dos grandes centros. O objetivo é descentralizar a produção audiovisual e dar voz a diferentes regiões, histórias e culturas.

A tabela abaixo resume os principais pontos da iniciativa:

AspectoDetalhes
Investimento totalMais de R$ 630 milhões
ParceriasGoverno Federal (MinC e Ancine) + governos estaduais + prefeituras
Mecanismo de financiamentoFundo Setorial do Audiovisual (FSA) complementa recursos de estados e municípios
Áreas beneficiadasDifusão, pesquisa, formação, memória, preservação, cineclubes, produção de curtas, longas, animação, conteúdo infantil e jogos eletrônicos
Objetivo principalFortalecer o setor audiovisual de forma ampla e descentralizada

O que dizem as autoridades?

Em suma, a cerimônia em Recife reuniu representantes de diversos níveis de governo e do setor audiovisual. Todos destacaram a importância do momento.

A ministra da Cultura, Margareth Menezes, ressaltou o papel transformador da cultura:

“Não há perda em investimento em cultura de nenhuma forma. O audiovisual ativa a economia, gera emprego e renda, transforma a vida das pessoas, cria oportunidade, combate a violência e abre janelas e portas para as novas gerações.”

A secretária do Audiovisual, Joelma Gonzaga, reforçou o alcance nacional da iniciativa:

“Quando um filme brasileiro entra em cartaz, é o Brasil inteiro que entra em cartaz. E é isso que os Arranjos Regionais vão fazer, de norte a sul.”

Já a vice-governadora de Pernambuco, Priscila Krause, celebrou o impacto concreto da medida:

“O que nós estamos assistindo, por meio de um investimento de mais de 600 milhões de reais, é um mecanismo concreto de política pública para democratização de recursos e fomento ao audiovisual.”

Por que essa retomada é importante?

A Linha de Arranjos Regionais não é nova. Ela ocorreu pela última vez em 2018 e, depois de um hiato, e agora conta com ajustes para ampliar seu alcance.

De acordo com a diretora da Ancine (Agência Nacional do Cinema), Patrícia Barcelos, esse movimento faz parte de um momento especial para o audiovisual brasileiro:

“O audiovisual brasileiro vive um momento de mudanças significativas. O período entre 2023 e 2025 marcou o reencontro do cinema com a sociedade brasileira.”

O presidente do Fórum Nacional de Secretários Municipais de Cultura, Marcus Alves, completou:

“Nós temos hoje a realização de um grande sonho de todo o setor produtivo do audiovisual.”

Impacto nos territórios: mais diversidade nas telas

Assim, um dos pontos mais celebrados da iniciativa é a descentralização. Em vez de concentrar os recursos no eixo Rio-São Paulo, os Arranjos Regionais espalham investimentos por todo o país.

O secretário adjunto da Cultura de Mato Grosso, Jan Moura, explicou:

“Acho que a outra sacada dos Arranjos Regionais é a descentralização. Então a gente tem um Brasil sendo visto.”

Em estados com menor acesso histórico a recursos, como Roraima, a expectativa é de fortalecimento das produções locais. A assessora da Secretaria de Cultura de Roraima, Jonayna Silva, destacou:

“O recurso vai impactar positivamente, visto que já temos algumas ações voltadas para o audiovisual e a gente sabe a dificuldade que os nossos artistas enfrentam.”

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O cineasta pernambucano Gabriel Mascaro, que venceu o prêmio do Júri no Festival de Berlim em 2025 com o filme O Último Azul, também participou do evento e trouxe uma reflexão poderosa:

“A gente vive em um momento muito polarizado. Eu acho que a única maneira de resolver a polarização é dentro do cinema.”

Para ele, o audiovisual tem um papel simbólico fundamental: o de conectar pessoas, ampliar olhares e construir pontes em tempos difíceis.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.