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Economia

Nordeste deve produzir 28,3 milhões de toneladas de grãos em 2026

A produção de grãos no Nordeste brasileiro deverá atingir 28,3 milhões de toneladas em 2026, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A princípio, o volume representa crescimento de 2,2% em relação ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
9 de fevereiro de 2026 - às 08:11
Atualizado 9 de fevereiro de 2026 - às 08:11
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A produção de grãos no Nordeste brasileiro deverá atingir 28,3 milhões de toneladas em 2026, segundo estimativa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A princípio, o volume representa crescimento de 2,2% em relação à safra de 2025, indicando avanço gradual do setor agrícola na região. A análise dos dados foi realizada pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos do Nordeste (Etene), vinculado ao Banco do Nordeste (BNB).

De acordo com o levantamento, o desempenho positivo será puxado principalmente pelos estados do Piauí, Ceará e Paraíba, com destaque para o território piauiense, que deverá apresentar um dos maiores avanços proporcionais do país. Entretanto, sozinho, o estado deve contribuir com 956,6 mil toneladas adicionais para o total regional, exercendo impacto relevante no resultado nordestino.

Piauí lidera crescimento na soja e no milho no Nordeste

O estudo do Etene aponta que o Piauí mantém trajetória consistente de expansão agrícola, especialmente nas culturas de soja e milho. A projeção indica que o estado poderá registrar alta de 15,7% na produção de soja, o equivalente a 563,8 mil toneladas a mais em comparação com a safra anterior.

Na produção de milho, o avanço estimado é ainda mais expressivo: 27,7% de crescimento, representando 452,7 mil toneladas adicionais. Os números reforçam a consolidação do Piauí como um dos principais polos estratégicos do agronegócio nordestino, sobretudo nas áreas de cerrado agrícola conhecidas pela alta produtividade.

Tecnologia e clima favorecem o campo

Segundo a analista do Etene, Hellen Cristina Rodrigues Saraiva Leão, o desempenho positivo está diretamente relacionado à combinação de três fatores centrais: expansão da área plantada, condições climáticas favoráveis e modernização tecnológica no campo.

Entre as práticas que vêm impulsionando a produtividade estão o uso de agricultura de precisão, bioinsumos, sementes de alto rendimento, monitoramento remoto de lavouras, mapeamento de pragas e técnicas de pulverização seletiva. Assim, essas estratégias têm contribuído para o aumento da produção por hectare e para maior eficiência no uso de recursos.

Ainda conforme o estudo, o agronegócio responde por cerca de 94% da produção agrícola do Piauí, evidenciando o peso do setor na economia estadual e regional. Dessa forma, o cenário aponta continuidade de investimentos em tecnologia e expansão de fronteiras agrícolas, especialmente no Matopiba — região que engloba áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia.

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Cenário nacional aponta leve recuo

Apesar do avanço previsto para o Nordeste, o panorama brasileiro indica desaceleração. O IBGE projeta que o país deverá produzir 339,9 milhões de toneladas de grãos em 2026, número que representa recuo de 1,8% em relação à safra de 2025.

Portanto, mesmo diante da queda nacional, o crescimento nordestino sinaliza maior protagonismo da região no agronegócio brasileiro, com ampliação da participação relativa na produção de grãos e fortalecimento de cadeias produtivas ligadas à exportação, geração de emprego e desenvolvimento regional.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.