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Nordeste abriga “Pantanais” pouco conhecidos; entenda

Pantanal Sergipano e Pantanal do Marimbus revelam ecossistemas únicos, turismo de natureza e importância ambiental estratégica para o Nordeste
Eliseu Lins, da Agência NE9
5 de janeiro de 2026 - às 05:00
Atualizado 5 de janeiro de 2026 - às 05:00
4 min de leitura

Embora o Pantanal seja tradicionalmente associado ao Centro-Oeste brasileiro, o Nordeste também abriga áreas alagáveis conhecidas como “Pantanal do Nordeste”, com destaque para dois territórios específicos: o Pantanal Sergipano, em Sergipe, e o Pantanal do Marimbus, localizado na Chapada Diamantina, na Bahia.

Áreas alagáveis do Nordeste reúnem biodiversidade e paisagens comparáveis ao Pantanal brasileiro

A princípio, ambos apresentam dinâmicas naturais semelhantes às do Pantanal Mato-Grossense, com ciclos de cheias e secas, elevada biodiversidade e forte potencial turístico.

Esses ambientes reforçam a diversidade ecológica nordestina e ampliam o debate sobre conservação, uso sustentável dos recursos naturais e desenvolvimento regional.

Pantanal Sergipano: biodiversidade às margens do São Francisco

O Pantanal Sergipano está localizado no município de Pacatuba, no norte de Sergipe, em uma extensa área de várzea influenciada pelo Rio São Francisco. Assim, durante o período chuvoso, a região se transforma em uma grande planície alagada, formando lagoas temporárias, canais naturais e campos inundáveis.

A área abriga uma rica fauna, com destaque para aves aquáticas, peixes, répteis e mamíferos, além de vegetação adaptada ao regime de alagamentos. Assim como no Pantanal tradicional, o equilíbrio ecológico depende diretamente da variação do nível das águas.

Além da relevância ambiental, o Pantanal Sergipano possui forte ligação com a pesca artesanal, a agricultura de subsistência e iniciativas de ecoturismo, como passeios fluviais e observação de aves, movimentando a economia local de forma sustentável.

Pantanal do Marimbus: o “mini Pantanal” da Chapada Diamantina

Na Bahia, o destaque é o Pantanal do Marimbus, localizado na Chapada Diamantina, entre os municípios de Lençóis, Andaraí e Mucugê. Conhecido como o “mini Pantanal da Bahia”, o Marimbus é uma vasta área alagada formada por rios, lagoas, brejos e canais naturais que se expandem principalmente nos períodos de cheia.

O ecossistema abriga uma combinação singular de espécies da Caatinga, do Cerrado e da Mata Atlântica, além de uma expressiva diversidade de peixes e aves. Dessa maneira, a navegação em pequenas embarcações pelos canais do Marimbus é uma das experiências mais procuradas por turistas, tornando o local um dos principais atrativos de turismo ecológico da Chapada Diamantina.

O Pantanal do Marimbus também desempenha papel essencial na regulação hídrica da região, funcionando como reservatório natural e contribuindo para a manutenção dos rios que abastecem comunidades locais.

Importância ambiental e econômica dos pantanais nordestinos

Tanto o Pantanal Sergipano quanto o Pantanal do Marimbus cumprem funções ambientais estratégicas, como:

  • Conservação da biodiversidade
  • Regulação dos ciclos das águas
  • Proteção de espécies ameaçadas
  • Manutenção de atividades tradicionais

Além disso, essas áreas se consolidam como vetores de desenvolvimento sustentável, ao integrar preservação ambiental, turismo de base comunitária e geração de renda.

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Nordeste amplia protagonismo ambiental

A existência desses dois “pantanais” reforça que o Nordeste brasileiro abriga ecossistemas complexos e pouco conhecidos, que vão muito além do clima semiárido. Sergipe e Bahia, por meio do Pantanal Sergipano e do Pantanal do Marimbus, ampliam o protagonismo da região no mapa da biodiversidade nacional.

Portanto, valorizar, proteger e divulgar esses territórios é fundamental para fortalecer o turismo sustentável, a educação ambiental e a conservação dos recursos naturais, posicionando o Nordeste como referência em diversidade ecológica no Brasil.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.