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Governo inicia estratégia nacional para minerais críticos e terras raras com foco em desenvolvimento e inovação

O Ministério de Minas e Energia (MME) deu início, na terça-feira (21/1), aos trabalhos técnicos que vão orientar a formulação da Estratégia Nacional de Terras Raras, marco para organizar o desenvolvimento da cadeia desses minerais ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
23 de janeiro de 2026 - às 06:34
Atualizado 23 de janeiro de 2026 - às 06:34
6 min de leitura

O Ministério de Minas e Energia (MME) deu início, na terça-feira (21/1), aos trabalhos técnicos que vão orientar a formulação da Estratégia Nacional de Terras Raras, marco para organizar o desenvolvimento da cadeia desses minerais considerados estratégicos para a economia, a transição energética e a inovação tecnológica no Brasil.

A princípio, o estudo, que contará com diagnósticos, diretrizes, metas e instrumentos regulatórios, terá como base informações geológicas, socioeconômicas e ambientais para orientar decisões públicas e atrair investimentos ao setor.

O objetivo é fortalecer a industrialização local, reduzir vulnerabilidades nas cadeias globais de suprimento e impulsionar a competitividade brasileira em um mercado global de alta demanda.

Ministro Alexandre Silveira durante evento Foto Ricardo BotelhoMME

Brasil e terras raras: potencial global ainda pouco explorado

O Brasil tem um dos maiores potenciais de reservas de terras raras do mundo, com cerca de 21 milhões de toneladas, o que o posiciona entre os maiores detentores dessas reservas globalmente, atrás apenas de China e Vietnã. No entanto, a produção nacional ainda é pequena — inferior a 1% da produção mundial — o que evidencia uma lacuna entre potencial geológico e produção industrial efetiva.

Esses elementos são essenciais para diversas tecnologias de ponta, incluindo turbinas eólicas, motores elétricos, equipamentos aeroespaciais, sensores e componentes de eletrônicos avançados, o que os torna centrais na disputa por liderança tecnológica e energética no século XXI.

Importância da estratégia: inovação, transição energética e industrialização

A proposta do MME é estruturar um conjunto de políticas que:

  • Atraiam investimentos nacionais e estrangeiros em exploração e beneficiamento
  • Fortaleçam indústrias nacionais de alta tecnologia
  • Reduzam dependências externas em minerais críticos
  • Incentivem a criação de cadeias produtivas completas dentro do Brasil
  • Promovam desenvolvimento sustentável com governança ambiental e socialmente responsável

Segundo a secretária Nacional de Geologia, Mineração e Transformação Mineral, Ana Paula Bittencourt, essa etapa inicial visa alinhar a política mineral às prioridades do desenvolvimento econômico do país e ao uso estratégico desses recursos.

O estudo também prevê diagnósticos sobre oportunidades ao longo da cadeia de valor e recomendações sobre sustentabilidade e governança, inclusive com mecanismos de acompanhamento contínuo para adaptação da política a novos cenários.

Nordeste: potencial mineral estratégico e oportunidades de exploração

Embora a exploração comercial de terras raras ainda não esteja consolidada no Nordeste, estudos geológicos apontam presença de ocorrências e potencial exploratório significativo na região, especialmente em estados como Bahia, Maranhão, Piauí, Ceará e Espírito Santo.

O Nordeste também se destaca na produção e pesquisa de outros minerais críticos, o que inclui titânio, tungstênio, vanádio, urânio e grafita, com participação expressiva na produção mineral brasileira em 2024.

Segue uma visão geral das regiões nordestinas com potencial para exploração de minerais estratégicos:

Região / EstadoMinerais com potencialStatus atual
BahiaTerras raras (ex.: Itaeté); Níquel (Itagibá, Santa Luz); Silício (Chapada)Potencial geológico identificado, pesquisa em andamento
MaranhãoTerras raras potencial; Titânio, VanádioOportunidades de pesquisa mineral, incentivos necessários
PiauíTerras raras potencial; UrânioOcorrências mapeadas, produção ainda incipiente
CearáGrafite (Itapipoca); Terras raras potencialProdução de grafite em parte, prospecção mineral avançada
Espírito Santo*Terras raras potenciaisParte de estudos regionais de minerais críticos

* Espírito Santo é considerado parte do eixo mineral estratégico em conjunto com estados do Nordeste e Sudeste, segundo relatórios geológicos.

Desafios e agenda legislativa

O Brasil enfrenta hoje desafios importantes na criação de uma política mineral robusta, incluindo:

  • Entraves regulatórios que dificultam o licenciamento e operações de mineração
  • Necessidade de financiamento para transformação mineral e beneficiamento local
  • Infraestrutura logística limitada em áreas com potencial mineral
  • Exigência de garantias financeiras e incentivos fiscais para atrair investidores

Especialistas alertam que sem instrumentos políticos e econômicos que ofereçam previsibilidade e mitigação de riscos, o Brasil pode perder oportunidades diante da demanda global crescente por minerais críticos como lítio, níquel e terras raras.

O setor privado intensificou a mobilização por meio da criação da Associação de Minerais Críticos (AMC), que busca coordenar tecnicamente iniciativas e promover uma agenda conjunta para agregar valor à cadeia produtiva de insumos estratégicos.

Potencial mineral estratégico no Nordeste

Mineral EstratégicoPrincipais Estados (Nordeste)Aplicações principais
Terras rarasBA, MA, PI, CE, ESEnergias limpas, eletrônicos, ímãs permanentes
TitânioBAPigmentos, ligas metálicas, indústria aeroespacial
TungstênioBA, MAFerramentas industriais, eletrônicos, defesa
VanádioBA, MAAços de alta resistência, baterias de fluxo
UrânioPIEnergia nuclear, indústrias associadas
GrafitaCEAnodos de baterias, materiais de carbono

Base dos potenciais com base em estudos geológicos e dados regionais.

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Por que essa estratégia é relevante para o Nordeste e o Brasil

A definição de uma Estratégia Nacional de Terras Raras e minerais críticos coloca o Brasil em posição de vantagem estratégica no contexto da transição energética global e da disputa por cadeias produtivas de alta tecnologia, uma vez que o país acumula uma das maiores reservas mundiais desses recursos, com potencial ainda pouco explorado industrialmente.

Para o Nordeste, essa agenda pode significar:

  • Novas oportunidades de investimento e geração de empregos em regiões historicamente com potencial econômico subutilizado
  • Fortalecimento da pesquisa mineral e geocientífica local
  • Inserção em cadeias de valor de alta tecnologia, como energia renovável, eletromobilidade e eletrônicos avançados
  • Desenvolvimento sustentável com políticas ambientais e sociais robustas

Portanto, o avanço dessa política, portanto, está no centro da estratégia brasileira de desenvolvimento econômico e tecnológico nos próximos anos.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.