A União Europeia (UE) está se movendo de forma concreta para atrair investimentos no setor mineral brasileiro ainda em 2026, com especial atenção a projetos localizados no Nordeste e Sudeste do país — um movimento estratégico ligado à crescente demanda global por minerais críticos usados na transição energética e em tecnologias avançadas.
O anúncio oficial desses aportes deve ocorrer em março, em evento que reunirá representantes europeus e brasileiros, após negociações técnicas que avançaram ao longo de 2025, incluindo apresentações de portfólio de projetos de mineração no Brasil para autoridades da UE.
Esse interesse europeu se soma ao contexto global mais amplo, em que tanto Europa quanto Estados Unidos intensificam parcerias com o Brasil para assegurar fornecimento de minerais estratégicos como terras raras, níquel, lítio, grafite e manganês — todos essenciais para a produção de baterias, veículos elétricos, turbinas eólicas e outras tecnologias voltadas à energia limpa.

Nordeste e minerais críticos: o que está em jogo
De acordo com a ApexBrasil, agência brasileira de promoção de exportações e investimentos, dos 14 projetos de mineração apresentados à UE, cinco foram priorizados para atração de investimentos estrangeiros, com um localizado no Piauí e outro na Bahia. Essa distribuição reforça a importância do Nordeste não apenas como região agrícola ou turística, mas também como veterana em riquezas minerais estratégicas para a economia digital e de baixo carbono.
Estudos de mercado e associações do setor destacam que a demanda mundial por minerais críticos — como lítio, cobalto, níquel e terras raras — deve crescer de forma acelerada nas próximas décadas em função da transição energética e da expansão de tecnologias limpas, triplicando ou mais até 2040.
Por que a UE busca o Brasil agora
A aproximação europeia com o Brasil tem várias razões estratégicas:
- Diversificação de fontes de suprimento de minerais essenciais, reduzindo dependência de terceiros.
- Integração junto ao recente acordo Mercosul–União Europeia, que amplia o acesso dos produtos brasileiros ao mercado europeu e cria condições mais favoráveis ao fluxo de investimentos e exportações.
- Capacidade brasileira de abrigar projetos de mineração de grande escala, com reservas ainda pouco exploradas de minerais críticos.
O acordo comercial entre Mercosul e UE, aprovado no início de 2026 e ainda em fase de homologação interna, é considerado uma peça-chave para atrair capital europeu ao setor mineral, ao reduzir tarifas de exportação e melhorar o ambiente de negócios para empresas do bloco interessado em investir no Brasil.
Importância para o Nordeste
O fato de o Nordeste — por meio de estados como Piauí e Bahia — figurar entre os projetos que devem receber investimentos europeus é um sinal claro de que a região pode se consolidar como polo estratégico de mineração crítica no país. Além dos impactos diretos na geração de empregos e atração de capital estrangeiro, essa articulação impulsiona:
- Desenvolvimento tecnológico e capacitação local com transferência de conhecimento.
- Diversificação econômica regional, reduzindo dependência de poucos setores e atraindo cadeias de valor inovadoras.
- Integração com cadeias industriais globais de alto valor agregado.
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O anúncio que deve ocorrer em março é aguardado com otimismo no setor, pois pode desencadear fluxos significativos de investimentos europeus em mineração no Brasil, com efeito multiplicador na economia regional e nacional — algo visto como uma oportunidade histórica para colocar o Nordeste em posição de destaque na economia global de minerais críticos.
Portanto, a União Europeia está próxima de anunciar investimentos em projetos de mineração no Brasil, incluindo iniciativas no Nordeste (Piauí e Bahia), como parte de uma estratégia para garantir acesso a minerais críticos essenciais à transição energética global — movimento que fortalece o papel do Brasil e da região no cenário internacional.


