Quatro estudantes do município de Barra da Estiva, na Bahia, estão chamando atenção ao unir ciência, esporte e empreendedorismo em um projeto que pode ir além da sala de aula.
Praticantes de ciclismo e musculação, Beatriz Ramos, Lara Laviny, Sany Teixeira e Sheila Sabrina, alunas do Colégio Estadual de Tempo Integral Professora Ana Lúcia Aguiar Viana, desenvolveram um pré-treino natural à base de farinha de beterraba, pensado como alternativa saudável aos suplementos industrializados.
Com orientação dos professores José Paulo Rocha e Joelma Santos, o produto nasceu da observação do próprio cotidiano esportivo das jovens, que buscavam uma opção energética sem os efeitos colaterais comuns em fórmulas químicas tradicionais.
A princípio, o projeto ganhou destaque no Encontro Estudantil da Secretaria da Educação da Bahia (SEC), realizado na Arena Fonte Nova, e já desperta interesse pelo potencial de mercado e impacto social.
Ciência aplicada ao dia a dia
O diferencial da proposta está na escolha da beterraba (Beta vulgaris), vegetal amplamente estudado por seus benefícios relacionados à circulação sanguínea, resistência física e saúde cardiovascular. Segundo as estudantes, o pré-treino é orgânico, livre de cafeína e taurina, substâncias frequentemente associadas a alterações no sistema nervoso e no ritmo cardíaco.
A iniciativa demonstra como a ciência pode surgir de demandas reais da juventude, aproximando o conhecimento acadêmico do cotidiano. Mais do que um experimento escolar, o projeto já é visto pelas criadoras como uma possível porta de entrada para o empreendedorismo científico, com planos futuros de patenteamento.
Potencial econômico e protagonismo feminino
Além do aspecto educacional, o projeto também dialoga com o mercado. Dados internacionais apontam que o setor de suplementos pré-treino movimenta bilhões de dólares por ano, com expectativa de crescimento contínuo na próxima década. Assim, ao propor uma alternativa natural e de baixo custo, as estudantes vislumbram espaço para inovação dentro de um segmento dominado por grandes marcas.
Outro ponto relevante é o protagonismo feminino na ciência, especialmente em cidades do interior nordestino, onde iniciativas desse tipo ajudam a quebrar barreiras históricas e ampliar horizontes profissionais para jovens pesquisadoras.
Impacto local e agricultura familiar
O pré-treino não se limita ao laboratório escolar. O projeto conta com o apoio de agricultores familiares da região, responsáveis pelo fornecimento da beterraba utilizada na produção experimental. Dessa forma, esse elo fortalece a economia local e evidencia como a inovação pode gerar cadeias produtivas sustentáveis, conectando educação, campo e tecnologia.
A experiência mostra que escolas públicas podem ser espaços de criação e desenvolvimento de soluções práticas, incentivando alunos a enxergarem a ciência como ferramenta de transformação social.
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Incentivo à pesquisa na Bahia
A iniciativa também dialoga com programas estaduais de valorização da ciência, como o “Bahia Faz Ciência”, que divulga pesquisas e projetos inovadores desenvolvidos no estado.
A proposta das estudantes reforça a importância de políticas públicas que estimulem a pesquisa desde o ensino médio, ampliando oportunidades e revelando talentos fora dos grandes centros urbanos.
Portanto, mais do que um suplemento natural, o pré-treino criado em Barra da Estiva simboliza o poder da educação aliada à criatividade, mostrando que ideias simples, quando bem orientadas, podem gerar impacto econômico, social e inspirar outros jovens a investir em conhecimento e inovação.


