A Semana Santa é um período em que o consumo de peixes e frutos do mar aumenta bastante em todo o país. Seja por tradição religiosa ou simplesmente pelo hábito de reunir a família em torno da mesa, é nessa época que muita gente enche o carrinho de compras com pescados.
Contudo, é preciso atenção: por serem alimentos muito perecíveis, peixes e frutos do mar exigem cuidados especiais. Ao mesmo tempo, uma escolha errada na hora da compra ou um armazenamento inadequado podem transformar uma refeição especial em um problema de saúde.
A princípio, a Vigilância Sanitária da Secretaria Estadual de Saúde do Rio de Janeiro (SES-RJ) reuniu orientações simples para ajudar você a aproveitar os pratos típicos com tranquilidade. Vamos a elas.
Na hora da compra: como saber se o peixe está fresco
A nutricionista Jussara Salgado explica que é possível identificar um peixe fresco apenas observando alguns detalhes. Fique atento aos sinais:
| Característica | Como deve estar |
|---|---|
| Carne | Firme ao toque |
| Escamas | Brilhantes e bem aderidas à pele |
| Olhos | Salientes, brilhantes e claros |
| Guelras | Vermelhas ou rosadas, úmidas |
| Cheiro | Suave, característico de peixe fresco |
Antes de mais nada, evite comprar peixes com:
- Odor forte, parecido com amônia ou azedo
- Olhos opacos ou fundos
- Guelras escuras ou secas
- Carne mole que afunda com o toque
No mercado ou na feira, o pescado deve estar exposto sobre uma camada de gelo, sem contato direto com o gelo (protegido por plástico adequado). Se for comprar congelado, verifique se a embalagem está intacta, sem sinais de descongelamento — como partes úmidas, amolecidas ou com cristais de gelo soltos dentro da embalagem.
Em casa: armazenamento e cuidados
Depois de comprar, o ideal é levar o pescado para casa o mais rápido possível e armazená-lo sem demora. Em casa, siga estas recomendações:
- Limpeza: retire as vísceras, as escamas e os resíduos antes de guardar.
- Armazenamento: coloque o peixe limpo em um recipiente fechado e mantenha na geladeira.
- Tempo de consumo:
- Se for consumir cru (como em ceviches ou sushi), o ideal é preparar em até 24 horas.
- Se for cozido, pode ser mantido na geladeira por até três dias.
No preparo: higiene é tudo
A contaminação muitas vezes acontece na cozinha. Por isso, capriche na higiene:
- Lave bem as mãos antes e depois de manusear o peixe cru.
- Use utensílios diferentes para alimentos crus e cozidos (ou lave muito bem entre um e outro).
- Higienize tábuas, facas e bancadas com água e sabão após o contato com o pescado cru.
Cuidado especial com o bacalhau
O bacalhau é um dos queridinhos da Semana Santa, mas merece atenção redobrada. O processo de dessalgue (retirada do sal) deve ser feito sob refrigeração, nunca em temperatura ambiente. Deixe o peixe de molho na geladeira, trocando a água algumas vezes, para evitar a proliferação de bactérias.
Por que tanto cuidado?
O pescado é rico em proteínas e muito sensível. Quando não manipulado corretamente, ele pode se tornar um ambiente perfeito para a multiplicação de bactérias que causam intoxicação alimentar. Os sintomas mais comuns incluem:
- Náuseas
- Vômitos
- Diarreia
- Dores abdominais
Em casos mais graves, pode haver desidratação e necessidade de internação. Por isso, prevenir é sempre o melhor caminho.
Se algo estiver errado, denuncie
Em suma, ao perceber que um estabelecimento está vendendo peixes mal conservados, com aparência suspeita ou em condições inadequadas de higiene, não hesite: entre em contato com a vigilância sanitária do seu município. Desse modo, a colaboração dos consumidores ajuda a proteger a saúde de todos.
Assim, com essas dicas simples, você pode preparar uma deliciosa refeição de Semana Santa sem sustos. Peixe fresco, higiene em dia e armazenamento correto são os ingredientes secretos para uma celebração saborosa e segura.



