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Conheça uma planta rara registrada pela 1ª vez no Nordeste

Uma descoberta rara e fascinante acaba de ocorrer no interior do Piauí. Pesquisadores da Universidade Federal do Piauí (UFPI) encontraram, pela primeira vez na região Nordeste, uma planta carnívora aquática chamada Utricularia warmingii. A princípio, a ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
12 de março de 2026 - às 10:47
Atualizado 12 de março de 2026 - às 10:47
4 min de leitura

Uma descoberta rara e fascinante acaba de ocorrer no interior do Piauí. Pesquisadores da Universidade Federal do Piauí (UFPI) encontraram, pela primeira vez na região Nordeste, uma planta carnívora aquática chamada Utricularia warmingii.

A princípio, a espécie não tinha registro em alguns locais do país há mais de 80 anos. Desse forma, foi encontrada em uma área alagada no município de Campo Maior, a cerca de 80 quilômetros de Teresina, durante um inventário de plantas aquáticas realizado em 2023.

Uma planta pequena, mas poderosa

Apesar do tamanho diminuto, essa plantinha esconde um mecanismo impressionante. Veja as características da espécie:

CaracterísticaDescrição
TamanhoAté 6 centímetros de altura
HabitatVive submersa em águas rasas
AlimentaçãoCaptura pequenos organismos aquáticos
MecanismoUtrículos (armadilhas microscópicas)
FloresBrancas com tons de amarelo e vermelho
FlutuaçãoHaste inflada cheia de ar ajuda a flutuar

A planta pertence à família Lentibulariaceae e usa pequenas estruturas parecidas com armadilhas para capturar suas presas. É o que os cientistas chamam de utrículos – daí vem o nome do gênero Utricularia.

Onde mais ela existe?

Apesar de ocorrer em alguns países da América do Sul (como Bolívia, Colômbia e Venezuela), os registros da espécie são raros e muito isolados. No Brasil, ela já havia sido encontrada no Pantanal e em áreas do Sudeste, mas algumas dessas populações desapareceram com o tempo.

Veja a situação nos estados onde já houve registro:

LocalÚltimo registroSituação
São Paulo1939Possível extinção local
Minas Gerais1877 (em Caldas)Possível extinção local
Piauí2023População confirmada
PantanalRegistros históricosSem dados recentes

Por que isso é importante?

A descoberta no Piauí amplia o conhecimento sobre a distribuição da espécie, mas também acende um alerta. Até agora, a população encontrada parece estar restrita a um único local, e novas buscas na região não localizaram outras ocorrências.

O professor Francisco Ernandes Leite Sousa, mestrando da UFPI e líder da pesquisa, explica:

“A descoberta no Piauí amplia o conhecimento sobre a distribuição da espécie, mas também evidencia sua vulnerabilidade. Até agora, a população encontrada parece estar restrita a um único local.”

O pesquisador Paulo Minatel Gonella, do Instituto Nacional da Mata Atlântica (INMA) e coautor do estudo, complementa:

“Espécies como Utricularia warmingii podem ter distribuição geográfica ampla no mapa, mas na prática ocupam apenas pequenos fragmentos de habitat. Isso as torna especialmente vulneráveis à perda de áreas úmidas.”

Ameaças e riscos

Ao mesmo tempo, os ambientes onde a espécie vive – lagoas rasas e áreas alagadas temporárias – estão entre os ecossistemas mais ameaçados do planeta. Os principais riscos são:

  • Mudanças no regime de cheias
  • Expansão da agropecuária
  • Uso de fertilizantes
  • Introdução de espécies invasoras
  • Alterações na paisagem

No Brasil, as populações confirmadas estão separadas por grandes distâncias e ocupam uma área extremamente pequena: cerca de 36 km². Isso reduz as chances de recolonização natural caso uma população desapareça, aumentando o risco de extinção regional.

Assim, com base nos novos dados, o estudo sugere que a planta tenha classificação como “Em Perigo” no Brasil.

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Ainda há muito o que descobrir

Os pesquisadores destacam que essa descoberta mostra como ainda conhecemos pouco a flora de várias regiões do país. Áreas como o interior do Nordeste permanecem pouco estudadas, e novas pesquisas podem revelar espécies raras ou populações ainda desconhecidas.

“Esse caso também mostra como ainda conhecemos pouco a flora de várias regiões do país. Áreas como o interior do Nordeste permanecem subamostradas, e novos estudos podem revelar espécies raras ou populações ainda desconhecidas”, afirma Gonella.

Em suma, a descoberta reforça a importância de proteger ambientes aquáticos naturais, especialmente áreas úmidas temporárias, que abrigam espécies altamente especializadas e sensíveis às mudanças ambientais.

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Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.