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Conheça o maior gavião das Américas que vive no Nordeste

Você já imaginou uma ave tão grande quanto uma águia, com garras enormes e força de sobra para caçar macacos e preguiças? Pois ela existe e vive no Brasil. Trata-se da Harpia (Harpia harpyja), o ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
10 de abril de 2026 - às 08:39
Atualizado 10 de abril de 2026 - às 08:39
4 min de leitura

Você já imaginou uma ave tão grande quanto uma águia, com garras enormes e força de sobra para caçar macacos e preguiças? Pois ela existe e vive no Brasil. Trata-se da Harpia (Harpia harpyja), o maior gavião das Américas.

E a boa notícia é que essa ave impressionante foi encontrada no Parque Nacional da Serra das Lontras, no sul da Bahia. O registro foi feito por meio de uma parceria entre o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e o Projeto Harpia Mata Atlântica.

A “rainha das florestas”

A harpia é tão especial que ganhou o apelido de “rainha das florestas”. E não é para menos: ela está no topo da cadeia alimentar, ou seja, é um predador de topo. Isso significa que, para ela viver em uma região, é preciso que a floresta esteja muito bem preservada.

Pablo Casella, analista ambiental do Núcleo de Gestão Integrada de Ilhéus, comemorou a descoberta:

“É motivo de orgulho, mas também um desafio para nossa gestão.”

Isso porque a presença da harpia traz uma grande responsabilidade: é preciso proteger o ambiente para que ela continue vivendo por ali.

Por que a harpia é importante para o meio ambiente?

Em suma, a harpia funciona como um “indicador ambiental”. Isso quer dizer que, se ela está presente, a natureza ao redor está saudável. Ela precisa de florestas intactas para caçar seus alimentos preferidos, como macacos e preguiças.

Além disso, ela ajuda a controlar a população desses animais, mantendo o equilíbrio do ecossistema. Sem ela, algumas espécies poderiam crescer demais e desequilibrar a natureza.

Boas notícias para a reprodução da espécie

Além do registro no parque, a Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Estação Veracel, também na Bahia, registrou um filhote de harpia. Esse evento é muito importante porque marca o fim de um período sem sucesso reprodutivo na região.

E por que isso é relevante? Porque a harpia tem um ciclo reprodutivo bem lento: ela gera apenas um filhote a cada dois ou três anos. Cada novo nascimento é uma vitória para a conservação da espécie.

Gavião harpia. Foto_ Leonardo Merçon_Projeto Harpia
Gavião harpia. Foto_ Leonardo Merçon_Projeto Harpia

Desafios para proteger a harpia

O sul da Bahia é uma região muito importante para a preservação da Mata Atlântica, um dos biomas mais ameaçados do mundo. Unidades de conservação, como o Parque Nacional da Serra das Lontras e a RPPN Estação Veracel, são essenciais para garantir a sobrevivência da harpia e de muitas outras espécies.

Otto Luiz Burlier, secretário de Hidrovias e Navegação, destacou a importância de proteger essas áreas para manter o equilíbrio ambiental.

Principais informações sobre a harpia

InformaçãoDetalhe
Nome da espécieHarpia harpyja (gavião-real)
Onde foi encontradaParque Nacional da Serra das Lontras (BA) e RPPN Estação Veracel (BA)
Apelido“Rainha das florestas”
O que ela comeMacacos, preguiças e outros animais de médio porte
Por que é importanteÉ um predador de topo e indica que a floresta está saudável
Ciclo reprodutivoUm filhote a cada 2 ou 3 anos
Principal ameaçaDestruição da Mata Atlântica

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O que essa descoberta significa?

Portanto, cada registro de harpia é um sinal de que a gestão ambiental na região está no caminho certo. A presença dessa ave gigante mostra que as florestas da Bahia ainda guardam tesouros da natureza e que os esforços de conservação estão dando resultado.

Proteger a harpia significa proteger toda a floresta — e isso beneficia não apenas os animais, mas também o ar que respiramos, a água que bebemos e o clima da região.

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Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.