O cenário político para as eleições de 2026 já começou a esquentar, e uma região crucial está no centro das atenções: o Nordeste. De acordo com levantamento da Carta Capital, relatórios recentes indicam que a cúpula do PT espera uma peça-chave para resolver impasses na formação de alianças: a intervenção direta do presidente Lula.
Ao mesmo tempo, a região não é estratégica apenas para uma possível reeleição presidencial, mas também para garantir uma base sólida no Senado Federal, casa que ganhou enorme importância política nos últimos anos.
Mas, afinal, onde estão os principais nós a serem desatados? A situação varia bastante de estado para estado.
O panorama de alianças do PT por estado
| Estado | Principal Desafio para as Alianças |
|---|---|
| Bahia | Conflito no Senado. O PT optou por uma chapa com três ex-governadores petistas, deixando de fora o senador aliado Angelo Coronel, que busca a reeleição. O risco de rompimento é real. |
| Maranhão | Impasse profundo no governo. O governador Carlos Brandão (PSB) e o vice Felipe Camarão (PT) romperam politicamente. Lula tenta mediar, mas a sucessão está travada, com receio de beneficiar a oposição. |
| Pernambuco | Disputa nacionalizada. De um lado, o prefeito do Recife, João Campos (PSB). Do outro, a governadora Raquel Lyra (PSD). O PT local prefere Campos, mas a decisão pode depender de acordos nacionais. |
| Rio Grande do Norte | Sucessão inédita. A governadora Fátima Bezerra (PT) deixará o cargo para disputar o Senado. O vice, Walter Alves (MDB), não assumirá, forçando uma eleição indireta na Assembleia, um cenário de risco. |
| Paraíba | Federação indecisa. A Frente Brasil da Esperança (PT, PCdoB, PV) ainda não definiu se apoiará Lucas Ribeiro (PP) ou Cícero Lucena (MDB) para o governo. A palavra final deve vir da Executiva Nacional. |
| Ceará | Atenção redobrada. A possibilidade de um embate direto entre o governador Elmano de Freitas (PT) e o ex-ministro Ciro Gomes exige um trabalho de articulação muito cuidadoso. |
| Alagoas | Disputa de titãs. O embate pelo Senado deve colocar frente a frente dois pesos-pesados: Renan Calheiros e Arthur Lira. Para o governo, a polarização será entre Renan Filho (MDB) e João Henrique Caldas (PL). |
| Sergipe | Reaproximação em jogo. O governador Fábio Mitidieri (PSD), que apoiou Lula em 2022, já tem chapa formada. Será chamado para conversar com o presidente para tentar recompor a aliança estadual. |
Por que o Senado é Tão Importante?
O texto da Carta Capital destaca ainda que o Senado se tornou central na estratégia petista. Contudo, a casa é vista também com prioridade pelo bolsonarismo, por ser a porta de entrada para pedidos de impeachment de ministros do STF. Por isso, garantir aliados sólidos no Senado é considerado vital para a governabilidade.
A “Receita” para os Estados sem Candidatura Forte
Onde o PT não tem quadros competitivos para governador ou senador, a orientação é clara: apoiar candidatos de partidos que já fazem parte da base aliada do governo Lula em Brasília, como PSB, PP e PDT. A ideia é fortalecer a coalizão ampla, priorizando a derrota de adversários da oposição.

O Pano de Fundo: A Sombra de 2022
Vale lembrar que, em 2022, Lula conseguiu eleger aliados em praticamente todo o Nordeste. A única exceção foi justamente Pernambuco, onde Raquel Lyra venceu a petista Marília Arraes. Agora, os partidos tentam evitar que novos conflitos internos fragilizem as chances de vitória no próximo pleito.
Em suma, a intervenção pessoal de Lula, com seu capital político e experiência em negociação, é uma ferramenta possível para destravar esses impasses regionais complexos. O xadrez político nordestino está armado, e cada movimento será decisivo para 2026.
Assim, as definições dessas alianças devem moldar não só as campanhas estaduais, mas toda a corrida presidencial.


