A noite desta segunda-feira (22) ficou marcada com algo histórico que aconteceu no céu do Maranhão. Contudo, o desfecho não foi o que se esperava. A base espacial de Alcântara foi palco do lançamento do foguete chamado HANBIT-Nano, criado por uma empresa da Coreia do Sul (a Innospace).
A princípio, ele, estava pronto para ser o primeiro foguete comercial a decolar do Brasil. Ele não era tripulado e carregava uma carga muito especial: oito experimentos científicos, sendo sete brasileiros!
Havia câmeras transmitindo ao vivo, pessoas comemorando. O foguete subiu! Mas, cerca de 40 segundos depois, algo deu errado. Um canal especializado no YouTube, o Space Orbit, que estava lá, registrou tudo. Confira abaixo.
O que aconteceu com o lançamento do Foguete?
A Força Aérea Brasileira (FAB), que coordena a base, explicou que houve uma “anomalia” (que é uma palavra técnica para “algo inesperado que não deveria acontecer”) que fez o foguete colidir com o chão. Eles reforçaram que toda a segurança foi seguida direitinho e que equipes de bombeiros e especialistas já estão no local analisando os destroços.
A empresa sul-coreana, em sua transmissão ao vivo, cortou o sinal e colocou um aviso: “We experienced an anomaly during the flight” (Tivemos uma anomalia durante o voo).
E os experimentos que iam para o Espaço?
É a parte mais triste da história. O foguete levava projetos muito legais e importantes, desenvolvidos por universidades brasileiras. Eram como “cubos tecnológicos” pequenos (satélites bem compactos, chamados de nanossatélites) que iriam testar novas formas de comunicação e energia. Dois deles eram da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).
Havia também um satélite educativo com mensagens de alunos de escolas públicas e comunidades quilombolas da região. Era a chance de um pedacinho do Brasil e de nossos sonhos chegarem ao espaço. Todos esses experimentos se perderam com o acidente.
| O Que Era | Quem Fez | O Que Ila Fazer (Objetivo) | O Que Aconteceu |
|---|---|---|---|
| Foguete HANBIT-Nano | Empresa Innospace (Coreia do Sul) | Levar experimentos para a órbita da Terra | Explodiu ~40s após o lançamento |
| Nanossatélites FloripaSat | Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) | Testar comunicação de baixa energia para Internet das Coisas | Perdidos no acidente |
| Satélite PION-BR2 | Outras instituições brasileiras | Projeto educacional com placas solares e mensagens de alunos | Perdido no acidente |
| Operação Spaceward | FAB + Innospace + Agência Espacial Brasileira | Primeiro lançamento comercial do Brasil | Concluída com “anomalia” (falha) |
Um marco, mesmo com a queda
Pode parecer só uma notícia triste, mas esse lançamento já é um marco. Foi a primeira vez que uma empresa privada de outro país usou nossa base no Centro de Lançamento de Alcântara (CLA) para um serviço comercial. Mostra que o Brasil tem um local geograficamente privilegiado para lançamentos (próximo à Linha do Equador, o que economiza combustível) e potencial nesse mercado.
Além disso, 20 anos atrás, em 2003, um acidente muito grave com um foguete brasileiro (VLS-1) tirou a vida de 21 pessoas em Alcântara. Desta vez, não houve vítimas. Os protocolos de segurança funcionaram para proteger as pessoas, mesmo com a falha do veículo.
LEIA TAMBÉM
- Transnordestina avança para fase operacional de testes
- Fortaleza e Recife se consolidam entre os maiores PIBs municipais do Brasil
- Descubra como o preço do café vai cair no Nordeste em 2026
E agora é com os detetives do espaço?
Ao mesmo tempo, as equipes técnicas da Innospace e da FAB vão ficar “detetives do espaço”: vão juntar os pedaços, analisar os dados e descobrir exatamente o que causou a anomalia. Aprender com os erros é a regra número um na exploração espacial. Cada falha ensina algo para o próximo lançamento ser melhor.
O presidente da Agência Espacial Brasileira, Marco Antônio Chamon, lembra que o Brasil ainda está aprendendo a fabricar foguetes complexos, mas que precisamos buscar nossa independência nessa área tão importante.
Foi uma noite de expectativa, alegria rápida e depois decepção. A ciência e a exploração espacial são assim mesmo: cheias de desafios. Afinal, o importante é que o Brasil deu um passo importante ao realizar sua primeira operação comercial. O sonho de alcancar o espaço continua, e com certeza, as lições de hoje vão ajudar a construir os sucessos de amanhã.


