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Como a cabotagem está mudando a logística de transporte no Nordeste

Você já ouviu falar em cabotagem? Esse nome diferente significa o transporte de mercadorias entre portos do próprio país, usando navios e navegando perto da costa. Assim, essa modalidade está crescendo muito no Nordeste. Dessa ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
10 de abril de 2026 - às 08:01
Atualizado 10 de abril de 2026 - às 08:01
4 min de leitura

Você já ouviu falar em cabotagem? Esse nome diferente significa o transporte de mercadorias entre portos do próprio país, usando navios e navegando perto da costa. Assim, essa modalidade está crescendo muito no Nordeste. Dessa forma, traz benefícios para a indústria, o comércio e até para o bolso do consumidor.

De acordo com dados da Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq), compilados pelo Ministério de Portos e Aeroportos, a cabotagem no Nordeste movimentou 1,82 milhão de toneladas somente no mês de janeiro. Esse volume gigantesco ajuda a abastecer a região e a levar produtos para outras partes do Brasil.

Quais estados mais movimentaram cargas?

A movimentação foi liderada por quatro estados nordestinos. Veja no ranking abaixo:

PosiçãoEstadoToneladas movimentadas em janeiro
Maranhão1,24 milhão
Bahia1,14 milhão
Pernambuco1,07 milhão
Ceará892 mil

O que é transportado pelos navios?

Em suma, os navios que fazem cabotagem carregam produtos essenciais para o dia a dia da população e para o funcionamento da indústria. Os principais são:

  • Petróleo bruto (950 mil toneladas) – usado para produzir combustíveis.
  • Bauxita (875 mil toneladas) – matéria-prima para fabricar alumínio.
  • Derivados de petróleo (867 mil toneladas) – como gasolina, diesel e gás de cozinha.
  • Contêineres (613 mil toneladas) – que transportam desde alimentos até eletrônicos e roupas.

Esses produtos são fundamentais para garantir o fornecimento de energia, sustentar a indústria regional e abastecer a população com bens essenciais.

Porto no Ceará foto reprodução
Porto no Ceará foto reprodução

Por que a cabotagem é vantajosa?

O ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Franca, explica que o avanço da navegação marítima no Nordeste traz várias vantagens:

“Fortalece a indústria local, gera emprego e renda, reduz custos logísticos e garante mais segurança no abastecimento. Além disso, amplia a integração entre os estados e conecta a produção regional a mercados estratégicos no Brasil e no exterior.”

Além disso, outro ponto importante: ao usar mais os navios, o país diminui a dependência das estradas. Isso significa menos caminhões nas rodovias, menos acidentes, menos desgaste das estradas e menos custos com frete. No final, o consumidor também pode sentir a diferença no preço dos produtos.

O que o governo está fazendo para incentivar a cabotagem?

Antes de mais nada, o crescimento da cabotagem não acontece por acaso. Ele é fruto de políticas públicas, como o Programa BR do Mar, criado pelo Ministério de Portos e Aeroportos. Esse programa organizou o setor, deixou as regras mais claras e deu mais segurança para empresas investirem na navegação entre os portos brasileiros.

Segundo o secretário nacional de Hidrovias e Navegação, Otto Luiz Burlier:

“Com regulação clara, planejamento estratégico e incentivos consistentes, o governo cria segurança jurídica, fortalece a integração entre os estados e amplia a eficiência da navegação aquaviária.”

E agora? O que esperar para o futuro?

Ao mesmo tempo, a expectativa do Governo Federal é que a cabotagem continue crescendo. Com mais rotas e mais investimentos, a navegação entre portos brasileiros deve se tornar cada vez mais importante para a logística do país. Desse modo, isso significa uma economia mais eficiente, mais sustentável (navios poluem menos por tonelada transportada do que caminhões) e mais conectada entre as regiões.

Portanto, da próxima vez que você abastecer o carro, cozinhar com gás de cozinha ou comprar um produto importado, lembre-se: parte desse caminho até a sua casa pode ter sido feito por um navio navegando pela costa brasileira. A cabotagem está mudando a logística do Nordeste — e você nem percebeu.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.