Você já parou para pensar: será que vale mais a pena ter um emprego com carteira assinada ou abrir o próprio negócio? Essa é uma dúvida comum, principalmente num momento em que vemos tantas pessoas nas redes sociais falando sobre empreendedorismo e “ser seu próprio chefe”.
Pois uma pesquisa recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) resolveu tirar essa dúvida. E o resultado surpreende: apesar de todo o barulho em torno do trabalho autônomo e das plataformas digitais, o bom e velho emprego com carteira assinada (o modelo CLT) continua sendo o preferido dos brasileiros.
O que a pesquisa descobriu?
Ao mesmo tempo, o levantamento ouviu 2.008 pessoas com 16 anos ou mais em todo o país. Dessa forma, o resultado foi claro: mais de um terço dos trabalhadores que procuraram emprego recentemente prefere o modelo formal.
Em suma, confira na tabela abaixo qual é a preferência dos brasileiros na hora de escolher um trabalho:
| Tipo de trabalho | Preferência dos brasileiros |
|---|---|
| Emprego com carteira assinada (CLT) | 36,3% |
| Trabalho autônomo (por conta própria) | 18,7% |
| Emprego informal (sem carteira) | 12,3% |
| Trabalho por plataformas digitais (aplicativos) | 10,3% |
| Abrir o próprio negócio | 9,3% |
| Atuar como pessoa jurídica (PJ) | 6,6% |
| Não encontraram oportunidades atrativas | 20% |
Atenção: os percentuais somam mais de 100% porque algumas pessoas escolheram mais de uma opção.
Por que a CLT ainda é a preferida?
A resposta é simples: segurança. O emprego com carteira assinada garante direitos trabalhistas como férias, 13º salário, FGTS, aposentadoria e estabilidade. Mesmo com o crescimento de novas formas de trabalho, como aplicativos de entrega e transporte, o trabalhador brasileiro ainda valoriza muito essa proteção.
Claudia Perdigão, especialista da CNI, explica:
“Embora novas modalidades de trabalho estejam crescendo, o trabalhador ainda valoriza o acesso a direitos trabalhistas, estabilidade e proteção social.”
E os jovens? O que eles preferem?
Você pode imaginar que os jovens, mais conectados às novas tecnologias, prefeririam o trabalho por aplicativos ou abrir o próprio negócio. Mas a pesquisa mostra exatamente o contrário.
Entre os jovens, a preferência pela CLT é ainda maior:
| Faixa etária | Preferência por CLT |
|---|---|
| 16 a 24 anos | 38,1% |
| 25 a 34 anos | 41,4% |
Isso mostra que, no início da carreira, a segurança de um emprego formal faz toda a diferença. O trabalho por aplicativos, por exemplo, é visto pela maioria (70%) apenas como uma forma de complementar a renda, não como a principal fonte de sustento.
Brasileiros estão satisfeitos com o trabalho
Outro dado interessante da pesquisa é o alto nível de satisfação dos brasileiros com seus empregos atuais. Isso explica por que pouca gente está procurando novas oportunidades:
- 95% estão satisfeitos com o emprego atual
- 70% se dizem muito satisfeitos
- Apenas 4,6% estão insatisfeitos
- E só 1,6% estão muito insatisfeitos
Por causa dessa satisfação, apenas 20% dos trabalhadores buscaram outro emprego recentemente. Entre os jovens (16 a 24 anos), esse número sobe para 35%. Contudo, já entre os trabalhadores com mais de 60 anos, apenas 6% procuraram uma nova vaga.
O tempo no emprego também faz diferença
Quem está há menos tempo no trabalho costuma buscar mais oportunidades:
- 36,7% dos que têm menos de um ano na empresa procuraram outro emprego
- 9% dos que estão há mais de cinco anos na mesma função fizeram o mesmo
Isso mostra que, com o tempo, a tendência é o trabalhador se estabilizar e parar de procurar novas vagas.
O que isso significa na prática?
A pesquisa deixa claro que, apesar do crescimento do empreendedorismo e do trabalho por aplicativos, o sonho da maioria dos brasileiros ainda é ter uma carteira assinada. Direitos trabalhistas, estabilidade e proteção social continuam sendo valores muito importantes para quem busca uma colocação no mercado.
Isso não significa que abrir o próprio negócio ou trabalhar por conta própria seja ruim. Mas mostra que, para a maioria, a segurança de um emprego formal ainda pesa mais do que a liberdade de ser seu próprio chefe.


