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CLT ou negócio próprio? Pesquisa revela o que o brasileiro prefere

Você já parou para pensar: será que vale mais a pena ter um emprego com carteira assinada ou abrir o próprio negócio? Essa é uma dúvida comum, principalmente num momento em que vemos tantas pessoas ...
Eliseu Lins, da Agência NE9
10 de abril de 2026 - às 08:25
Atualizado 10 de abril de 2026 - às 08:25
4 min de leitura

Você já parou para pensar: será que vale mais a pena ter um emprego com carteira assinada ou abrir o próprio negócio? Essa é uma dúvida comum, principalmente num momento em que vemos tantas pessoas nas redes sociais falando sobre empreendedorismo e “ser seu próprio chefe”.

Pois uma pesquisa recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) resolveu tirar essa dúvida. E o resultado surpreende: apesar de todo o barulho em torno do trabalho autônomo e das plataformas digitais, o bom e velho emprego com carteira assinada (o modelo CLT) continua sendo o preferido dos brasileiros.

O que a pesquisa descobriu?

Ao mesmo tempo, o levantamento ouviu 2.008 pessoas com 16 anos ou mais em todo o país. Dessa forma, o resultado foi claro: mais de um terço dos trabalhadores que procuraram emprego recentemente prefere o modelo formal.

Em suma, confira na tabela abaixo qual é a preferência dos brasileiros na hora de escolher um trabalho:

Tipo de trabalhoPreferência dos brasileiros
Emprego com carteira assinada (CLT)36,3%
Trabalho autônomo (por conta própria)18,7%
Emprego informal (sem carteira)12,3%
Trabalho por plataformas digitais (aplicativos)10,3%
Abrir o próprio negócio9,3%
Atuar como pessoa jurídica (PJ)6,6%
Não encontraram oportunidades atrativas20%

Atenção: os percentuais somam mais de 100% porque algumas pessoas escolheram mais de uma opção.

Por que a CLT ainda é a preferida?

A resposta é simples: segurança. O emprego com carteira assinada garante direitos trabalhistas como férias, 13º salário, FGTS, aposentadoria e estabilidade. Mesmo com o crescimento de novas formas de trabalho, como aplicativos de entrega e transporte, o trabalhador brasileiro ainda valoriza muito essa proteção.

Claudia Perdigão, especialista da CNI, explica:

“Embora novas modalidades de trabalho estejam crescendo, o trabalhador ainda valoriza o acesso a direitos trabalhistas, estabilidade e proteção social.”

E os jovens? O que eles preferem?

Você pode imaginar que os jovens, mais conectados às novas tecnologias, prefeririam o trabalho por aplicativos ou abrir o próprio negócio. Mas a pesquisa mostra exatamente o contrário.

Entre os jovens, a preferência pela CLT é ainda maior:

Faixa etáriaPreferência por CLT
16 a 24 anos38,1%
25 a 34 anos41,4%

Isso mostra que, no início da carreira, a segurança de um emprego formal faz toda a diferença. O trabalho por aplicativos, por exemplo, é visto pela maioria (70%) apenas como uma forma de complementar a renda, não como a principal fonte de sustento.

Brasileiros estão satisfeitos com o trabalho

Outro dado interessante da pesquisa é o alto nível de satisfação dos brasileiros com seus empregos atuais. Isso explica por que pouca gente está procurando novas oportunidades:

  • 95% estão satisfeitos com o emprego atual
  • 70% se dizem muito satisfeitos
  • Apenas 4,6% estão insatisfeitos
  • E só 1,6% estão muito insatisfeitos

Por causa dessa satisfação, apenas 20% dos trabalhadores buscaram outro emprego recentemente. Entre os jovens (16 a 24 anos), esse número sobe para 35%. Contudo, já entre os trabalhadores com mais de 60 anos, apenas 6% procuraram uma nova vaga.

O tempo no emprego também faz diferença

Quem está há menos tempo no trabalho costuma buscar mais oportunidades:

  • 36,7% dos que têm menos de um ano na empresa procuraram outro emprego
  • 9% dos que estão há mais de cinco anos na mesma função fizeram o mesmo

Isso mostra que, com o tempo, a tendência é o trabalhador se estabilizar e parar de procurar novas vagas.

O que isso significa na prática?

A pesquisa deixa claro que, apesar do crescimento do empreendedorismo e do trabalho por aplicativos, o sonho da maioria dos brasileiros ainda é ter uma carteira assinada. Direitos trabalhistas, estabilidade e proteção social continuam sendo valores muito importantes para quem busca uma colocação no mercado.

Isso não significa que abrir o próprio negócio ou trabalhar por conta própria seja ruim. Mas mostra que, para a maioria, a segurança de um emprego formal ainda pesa mais do que a liberdade de ser seu próprio chefe.

Eliseu Lins

Eliseu Lins é baiano de nascimento e paraibano de coração. Jornalista formado na UFPB, tem mais de 20 anos de atuação na imprensa do Nordeste. É pós-graduado em jornalismo cultural e ocupa o cargo de editor-chefe do NE9 desde 2022.