A Chamada Nordeste, iniciativa estratégica da política industrial brasileira, avança para sua fase de execução com previsão das primeiras contratações até junho. Ao todo, foram habilitados 189 projetos, que somam R$ 113 bilhões em investimentos potenciais na região.
A princípio, a iniciativa integra a política da Nova Indústria Brasil (NIB) e mobiliza instituições como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Banco do Nordeste (BNB), Banco do Brasil (BB), Caixa Econômica Federal (Caixa) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), em articulação com a Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) e o Consórcio Nordeste.

Projetos avançam para fase de financiamento
Durante reunião do Comitê Regional de Instituições Financeiras Federais (Coriff), realizada no Recife, o BNDES detalhou o início da operacionalização da carteira de projetos.
Atualmente, as propostas estão divididas por nível de maturidade:
| Categoria de projetos | Quantidade | Característica |
|---|---|---|
| Projetos avançados | 53 | Prontos para contratação mais rápida |
| Projetos em estruturação | 146 | Demandam ajustes técnicos e acompanhamento |
A estratégia inclui atendimento direto às empresas, análise documental e suporte técnico para transformar propostas em contratos de financiamento.
Segundo a Sudene, a meta é aprovar pelo menos um projeto por estado até junho, acelerando a chegada dos recursos à economia real.
O que é a Chamada Nordeste?
A Chamada Nordeste é considerada a maior mobilização de projetos industriais da história recente da região. Lançada em 2025, a iniciativa faz parte da política industrial federal e tem como foco a reindustrialização sustentável.
Principais pontos da iniciativa:
- Integração regional: envolve os nove estados do Nordeste
- Foco em inovação: prioriza setores tecnológicos e sustentáveis
- Acesso ao crédito: facilita financiamento com apoio de bancos públicos
- Desenvolvimento econômico: geração de emprego, renda e competitividade
- Coordenação institucional: atuação conjunta entre governo e instituições financeiras
Setores prioritários:
- Transição energética
- Hidrogênio verde
- Bioeconomia
- Data centers verdes
- Indústria automotiva
Nordeste ganha protagonismo industrial
A alta demanda — 11 vezes superior ao volume inicial previsto — reforça o potencial econômico do Nordeste. Contudo, para especialistas e gestores públicos, o desafio agora é transformar esse volume em investimentos concretos.
O modelo de atuação prevê monitoramento contínuo dos projetos, garantindo mais agilidade na liberação de crédito e maior eficiência na execução.
Crédito e crescimento econômico
O avanço da Chamada Nordeste ocorre em um cenário de expansão do crédito na região. Desde 2023, o BNDES aprovou mais de R$ 53,6 bilhões para o Nordeste, sendo R$ 19,3 bilhões apenas em 2025 — crescimento de 15,8% em relação ao ano anterior.
O apoio às micro, pequenas e médias empresas tem papel central nesse movimento, com R$ 18 bilhões aprovados no período.
Turismo e infraestrutura também entram no radar
Além da indústria, o turismo — responsável por cerca de 10% do PIB nordestino, segundo dados oficiais — também será beneficiado com novas linhas de crédito.
Para 2026, estão previstos:
- R$ 1,7 bilhão do Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste (FNE)
- R$ 850 milhões do Fundo Geral de Turismo (Fungetur)
Também foi anunciado um road show regional para apresentar oportunidades de financiamento ao setor.
Na área social, o BNDES destacou ainda o avanço do Fundo Nacional de Investimento em Infraestrutura Social, com 394 projetos selecionados no Nordeste, sendo 107 em municípios.
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Novo ciclo de desenvolvimento regional
A Chamada Nordeste representa um marco na estratégia de desenvolvimento do Brasil, ao posicionar a região como protagonista da nova indústria nacional.
Com foco em inovação, sustentabilidade e integração produtiva, a iniciativa amplia a capacidade de atração de investimentos e fortalece setores estratégicos.
Resumo da Chamada Nordeste:
- 189 projetos habilitados
- R$ 113 bilhões em investimentos potenciais
- Primeiras contratações até junho
- Atuação integrada de bancos públicos e Sudene
- Foco em inovação e sustentabilidade
Portanto, o avanço da iniciativa reforça uma tendência clara: o Nordeste deixa de ser apenas receptor de políticas públicas e passa a ocupar posição central na nova agenda industrial do país, com projetos estruturantes e alto potencial de transformação econômica.



