Conheça a história dos irmãos que ajudaram a transformar Pernambuco em potência cultural

Poucas famílias marcaram tanto a história cultural, empresarial e artística do Nordeste quanto os Brennand. Em Recife, o sobrenome virou praticamente patrimônio local, estampado em alguns dos lugares mais emblemáticos da capital pernambucana.

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De um lado, o artista Francisco Brennand transformou barro, fogo e cerâmica em uma das obras mais originais da arte brasileira. Do outro, o empresário e colecionador Ricardo Brennand criou um castelo-museu que colocou Pernambuco na rota internacional do turismo cultural.

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Embora muita gente se refira aos dois como “irmãos Brennand”, na verdade Francisco e Ricardo eram primos, nascidos em 1927 com apenas 15 dias de diferença. Cresceram praticamente juntos e acabaram construindo legados diferentes — mas igualmente gigantescos para o Nordeste.

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Francisco Brennand: o senhor da cerâmica nordestina

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Nascido no Recife, Francisco Brennand mergulhou cedo no universo artístico. Filho de uma tradicional família ligada à indústria cerâmica e açucareira, foi enviado à Europa no fim dos anos 1940, onde entrou em contato com obras de artistas como Picasso e Miró.

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Ao voltar para Pernambuco, transformou a antiga olaria da família na lendária Oficina Francisco Brennand, um espaço considerado hoje um dos lugares mais impressionantes da arte brasileira. Assim, o local mistura esculturas monumentais, jardins, murais, lagos e criaturas imaginárias criadas pelo artista.

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Ao mesmo tempo, a obra de Francisco ficou conhecida pelo simbolismo forte, pelas formas orgânicas e pela relação intensa com temas como sexualidade, mitologia, natureza e ancestralidade.

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Seu trabalho ganhou reconhecimento internacional e ajudou a transformar Recife em referência mundial de arte contemporânea.

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Ricardo Brennand: o homem que construiu um castelo em Recife

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Enquanto Francisco virou um dos maiores artistas brasileiros do século XX, Ricardo Brennand seguiu inicialmente o caminho empresarial da família. Assim, os Brennand construíram fortuna ao longo de décadas em setores como:

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  • açúcar;
  • cimento;
  • vidro;
  • porcelana;
  • aço;
  • e cerâmica.
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Apaixonado por história, armas antigas e arte, Ricardo começou ainda jovem uma coleção particular que cresceria de forma gigantesca ao longo da vida.

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Nos anos 2000, decidiu transformar parte desse acervo no hoje famoso Instituto Ricardo Brennand, um complexo cultural construído em estilo medieval no bairro da Várzea. O espaço abriga:

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  • uma das maiores coleções de armas brancas do mundo;
  • pinturas raríssimas do período do Brasil Holandês;
  • obras de Frans Post;
  • tapeçarias;
  • esculturas;
  • e documentos históricos.
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A princípio, o instituto chegou a ser eleito duas vezes o melhor museu da América do Sul pelo TripAdvisor.

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O sobrenome Brennand virou símbolo de Pernambuco

Em suma, hoje o legado da família ultrapassa os negócios. Dessa maneira, o sobrenome Brennand está ligado a museus arte pública, turismo cultural, indústria, arquitetura e memória afetiva de Pernambuco.

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Quem visita Recife inevitavelmente encontra marcas da família no castelo de Ricardo, na Oficina de Francisco, no Parque das Esculturas e até no skyline moderno da cidade.

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A influência cultural dos Brennand ajudou a posicionar Pernambuco como um dos estados mais fortes do Brasil quando o assunto é turismo cultural e patrimônio artístico.

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Uma família que virou parte da identidade nordestina

Francisco morreu em 2019. Ricardo faleceu em 2020, vítima da Covid-19. Mas os dois deixaram algo raro: obras que continuam movimentando turismo, cultura, pesquisa e economia criativa no Nordeste.

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Portanto, mais do que empresários ou artistas, os Brennand acabaram se tornando personagens fundamentais da história moderna pernambucana — e símbolos de como o Nordeste conseguiu transformar cultura em patrimônio mundial.

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