Após quase uma década entre estudos, mudanças de projeto e impasses ambientais, a Dessal do Ceará finalmente entra na fase de obras. A princípio, a usina será a maior planta de dessalinização para abastecimento público do país e promete ampliar a segurança hídrica da capital cearense.
A Companhia de Água e Esgoto do Ceará (Cagece) assinou o termo de autorização para o início das obras da Dessal do Ceará, empreendimento que será a maior usina de dessalinização de água do mar voltada ao abastecimento humano no Brasil.
O projeto será na Praia do Futuro, em Fortaleza. Dessa forma, representa um marco para a segurança hídrica do Nordeste.
A princípio, a expectativa é que as obras comecem efetivamente em cerca de 60 dias e tenham conclusão no segundo semestre de 2028.
Em suma, quando entrar em operação, a planta utilizará a tecnologia de osmose reversa para transformar água do mar em água potável.
Ao mesmo tempo, os principais números do projeto são:
Além da usina, o projeto prevê a construção de estruturas de captação no mar, emissários e adutoras para levar a água tratada até as estações do Mucuripe e da Praça da Imprensa, na Aldeota.
Embora a Cagece não tenha publicado um cronograma detalhado mês a mês, o cronograma oficial informado após a autorização prevê as seguintes etapas:
| Etapa | Previsão |
|---|---|
| Assinatura da autorização para início das obras | Julho de 2026 |
| Mobilização do canteiro e compra de equipamentos e tubulações | Próximos 60 dias |
| Início efetivo das obras civis | Segundo semestre de 2026 |
| Execução das obras | 24 meses |
| Entrada em operação | Segundo semestre de 2028 |
A primeira fase será para a aquisição de materiais, equipamentos e à mobilização da estrutura necessária para o início das intervenções no terreno.
A Dessal foi anunciada pelo Governo do Ceará em 2017. Desde então, o empreendimento passou por diversas revisões.
Inicialmente, a expectativa era que a usina estivesse pronta em 2025, mas o cronograma foi alterado em razão de questões ambientais, mudanças no projeto e discussões envolvendo a localização da planta.
A ordem de serviço chegou a ser assinada em 2021, porém novas exigências técnicas adiaram o início da construção.
Um dos principais obstáculos ocorreu quando empresas de telecomunicações alertaram que o projeto original poderia afetar os cabos submarinos responsáveis por grande parte do tráfego internacional de internet que chega ao Brasil.
Após novos estudos, o Governo do Ceará alterou a localização da captação de água, do emissário de rejeitos e da própria planta industrial, deslocando o projeto para uma área situada a mais de um quilômetro da posição inicialmente prevista. A mudança exigiu novos estudos ambientais e uma nova rodada de licenciamento.
A implantação da usina também exigiu atenção para aspectos ambientais. O trecho da Praia do Futuro escolhido para receber o empreendimento é conhecido por ser área de desova de tartarugas marinhas, exigindo medidas específicas de mitigação durante as escavações das tubulações.
Outro desafio foi a realocação de famílias que ocupavam a área destinada à obra. Segundo a Cagece, 29 famílias foram indenizadas, e o consórcio responsável também deverá construir uma nova Areninha como medida compensatória.
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A Dessal integra a estratégia do Ceará para diversificar sua matriz de abastecimento e reduzir a dependência exclusiva dos açudes e das chuvas.
Portanto, em um estado historicamente afetado por longos períodos de estiagem, a dessalinização passa a representar uma nova fonte permanente de água, fortalecendo a resiliência diante das mudanças climáticas e do crescimento urbano.
Afinal, quando concluída, a usina será a primeira planta brasileira de grande porte destinada ao abastecimento público e poderá servir de referência para outros estados do Nordeste que enfrentam desafios semelhantes no acesso à água potável.
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